PIB desacelera na China, mas mantém alta acima de 10%

A economia da China desacelerou pelo quarto trimestre consecutivo, apesar de continuar registrando crescimento econômico de dois dígitos nos últimos três meses. Segundo o jornal estatal China Daily, o PIB cresceu 10,1% entre abril e junho, abaixo do desempenho de 10,6% observado entre janeiro e março, e dos 11,9% em todo o ano de 2007.

BBC Brasil |

No primeiro semestre, a expansão foi de 10,4%, comparada com 11,5% no mesmo período do ano passado.

Os sinais de resfriamento da economia chinesa foram divulgados no mesmo dia em que novos números apontam um recuo da inflação em junho, o que poderia abrir caminho para um relaxamento da política monetária.

Apesar da retração, a China ainda assim deverá ultrapassar a Alemanha e se tornar a terceira maior economia do mundo neste ano, ficando atrás apenas dos Estados Unidos e Japão.

Em 2007, o PIB superou US$ 3,5 trilhões, após cinco anos consecutivos de crescimento anual de dois dígitos.

Inflação

Os números da atividade econômica foram divulgados junto com a nova medição do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que monitora as oscilações inflacionárias.

Em junho, o índice ficou em 7,1%, regredindo 0,6 ponto percentual em relação aos 7,7% registrados no mês anterior.

"Apesar da queda nos preços ao consumidor nos últimos dois meses, os preços (de maneira geral) ainda estão em níveis altos", disse Li Xiaochao, porta-voz da Agência nacional de Estatísticas.

"Vamos continuar a combater a alta dos preços e a inflação", completou.

Possivelmente os chineses enfrentarão mais inflação nos próximos meses, pois em junho o Índice de Preços dos Produtores (IPP), que marca o aumento de custos de produção, sofreu aumento de 8,8%, o mais alto dos últimos três anos.

Como o mercado tende a repassar esses custos para o consumidor final, um maior IPP hoje normalmente resulta em um maior IPC amanhã.

"Com o rápido aumento nos preços globais hoje, podemos esperar maiores aumentos nos preços (domésticos)", aponta Li.

A meta inflacionária da China para 2008 é de 4,8%, porém os sinais são de que o país não alcançará este objetivo.

Política econômica

No ano passado, a China anunciou que adotaria medidas para frear o superaquecimento da economia e conter as pressões inflacionárias.

Entre outras ações, os chineses disseram que iriam promover a valorização do yuan para desestimular as exportações e buscariam ser mais seletivos à entrada de investimento estrangeiro.

"O resfriamento do crescimento do PIB indica que a política macroeconômica de combate ao superaquecimento está dando resultados", disse ao China Daily o economista chefe da Agência Nacional de Estatísticas, Yao Jingyuan.

Entretanto, as medidas foram sendo discretamente amenizadas à medida que as exportações chinesas encolhiam e os mercados mundiais afundavam por causa da crise de crédito do mercado imobiliário e da recessão norte-americana.

Por outro lado, investidores estrangeiros assustados com o mau desempenho da economia dos Estados Unidos viram na China uma opção mais atraente.

Como resultado, a entrada de capital estrangeiro no país aumentou 45% em 2008 em relação ao ano passado, totalizando US$ 52,4 bilhões neste primeiro semestre.

Analistas prevêem que esse aumento na entrada de capital deverá se traduzir em nova aceleração no ritmo de crescimento econômico nas estatísticas dos próximos meses.

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