Petróleo em baixa pode derrubar PIB da Venezuela em 2009

Se os preços do petróleo permanecerem em queda em conseqüência da crise financeira internacional, a economia da Venezuela poderá ser afetada com um crescimento econômico três vezes menor para o próximo ano, dizem analistas consultados pela BBC Brasil. Apesar do tamanho da turbulência global, os efeitos da crise não deverão ser sentidos pela economia venezuelana nos próximos meses, segundo previsões do governo venezuelano.

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Estas projeções são compartilhadas com o Fundo Monetário Internacional (FMI), que estima que o crescimento econômico venezuelano será de 6% neste ano.

A perspectiva, porém, não se mantém para 2009, período em que o FMI projeta um crescimento de apenas 2%, redução que poderia ser ocasionada pela vulnerabilidade da economia venezuelana à queda dos preços do petróleo.

"O impacto no crescimento econômico dependerá fundamentalmente da variação do preço do petróleo", afirmou à BBC Brasil o economista Luis Vicente León, da consultora venezuelana Datanálisis.

Nesta terça-feira o barril do petróleo foi cotado à US$79, bem distante da bonança dos US$ 147 cotados no mês de julho.

A baixa coincide com a crise financeira mundial, que tem levado a desaceleração da economia mundial e a redução dos níveis de consumo de energia no setor produtivo.

"A economia venezuelana não tem como se salvar se houver uma crise relevante no setor", acrescentou León.

É do petróleo que provêm 92% das divisas que ingressam na Venezuela e quase a metade do orçamento do governo.

Mesmo assim, segundo o economista Mark Weisbrot, diretor do Centro de Pesquisas de Política Econômica (CEPR, na sigla em inglês) de Washington, a execução de parte dos projetos do governo pode estar garantida, graças ao modo como o executivo calcula seu orçamento.

Segundo Weisbrot, o executivo calcula seu orçamento levando em conta um valor do barril de petróleo consideravelmente inferior ao preço real de mercado. O mesmo deve acontecer para 2009.

Para 2008, por exemplo, o orçamento foi calculado em US$ 35 o barril - quando a média real dos últimos oito meses foi de US$ 86 por barril - o que significa um excedente de 145,7% na receita do produto entrando nos cofres públicos venezuelanos.

Orçamento paralelo
Em um cenário de recessão, porém, a incerteza quanto ao gasto público poderia vir dos projetos que são financiados com o excedente da renda petrolífera, cujo gasto não é contemplado no orçamento anual.

Analistas estimam que os principais projetos de obras públicas, as compras de armamento, a cooperação com o governo de Cuba, parte dos projetos sociais e a construção de refinarias não são contabilizados no orçamento.

Luis Vicente León considera que, com a redução do excedente da renda petrolífera, o governo terá que "contrair significativamente o gasto público para equilibrar a balança".

"Isso afetará a quase todos os setores da economia, especialmente os setores da construção, telecomunicações e financeiro, principais beneficiados pelas grandes quantias de dinheiro que hoje circulam na economia", afirmou León.

Para equilibrar as contas governamentais, o Deustche Bank estima que a Venezuela, quinto maior exportador mundial de petróleo, necessita que o preço médio do barril se estabeleça em US$95, caso contrário, a economia seria abalada pela crise.

O co-diretor do CEPR, Mark Weisbrot, no entanto, discorda dessa projeção. Pretende-se criar uma ilusão de que há um perigo na economia que não é real", afirmou.

Weisbrot avalia que ainda que o barril do petróleo caia a pouco menos de US$ 70, as políticas governamentais que estão fora do orçamento anual poderiam ser sustentadas pelas reservas internacionais, estimadas em US$ 40 bilhões.

"O governo pode dispor das reservas internacionais para manter o gasto público durante um longo período e, se isso for insuficiente, poderá contrair empréstimos com outros países" afirmou.

"Isso dependerá das prioridades que estabelecerá o governo durante o período de instabilidade internacional", acrescentou.

Neste ano, antes mesmo da crise, o governo venezuelano recorreu aos cofres de um novo aliado e pediu emprestado à China US$ 8 bilhões.

Brasil
A visão da Câmara de Comércio Brasil-Venezuela (Cavenbra) é menos otimista e os empresários do setor já esperam um corte nas importações dos produtos que não estão na lista da cesta básica, considerada como prioridade para o governo que depende de 70% de importação de alimentos.

"O nível de importação de alimentos do Brasil à Venezuela deverá ser mantido porque uma redução poderia significar um caos social, mas outros setores, como de automóveis e autopeças, poderão ser reduzidos consideravelmente", afirmou Fernando Portela, diretor executivo da Cavenbra.

A balança comercial entre os dois países deverá fechar o ano em US$ 5,4 bilhões, com um superávit para o Brasil de US$ 4,8 bilhões.

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