O http://ultimosegundo.ig.com.br/bbc/2010/02/18/gra+bretanha+esta+preparada+para+proteger+as+malvinas+diz+brown+9401277.html target=_topendurecimento do discurso de Argentina e Grã Bretanha em torno da disputa pelas Ilhas Malvinas ocorre em um momento de alta no preço do petróleo e atende, principalmente, a questões de política interna dos dois países, segundo a opinião de analistas argentinos pela BBC Brasil.

"É um assunto de política interna tanto para Cristina Kirchner (presidente da Argentina) quanto para Gordon Brown (primeiro-ministro britânico), num momento difícil para os dois em seus países. E ocorre quando o preço do petróleo é alto", afirmou o analista e ex-secretário de Energia da Argentina Daniel Montamat.

O analista político Eduardo Fidanza, professor da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade de Buenos Aires (UBA), afirma que o tom elevado do discurso de Buenos Aires é parte de uma estratégia de Cristina Kirchner para ganhar popularidade.

"A presidente tem a expectativa de melhorar sua popularidade com a questão Malvinas. Faz parte da estratégia do governo de tentar melhorar sua imagem com assuntos internacionais", explicou o analista.

Fidanza lembrou que Cristina registra baixos índices de popularidade e vem tentado reverter a situação desde o ano passado, com medidas como a estatização das transmissões televisivas de futebol.

Diplomacia

Os dois especialistas entendem que qualquer solução para o novo conflito se dará pela via diplomática e descartam o risco de um novo enfrentamento bélico, como o que ocorreu em 1982.

Na época, militares argentinos, com forte rejeição popular, tomaram a decisão de invadir as Malvinas, para o que receberam forte apoio da opinião pública. O apoio se manteve até que os argentinos fossem derrotados pelos ingleses. A derrota na guerra das Malvinas é considerada um dos principais motivos que levaram à derrocada do regime militar argentino.

Montamat e Fidanza destacam que é "lógica" e "justa" a reivindicação do governo argentino contra as iniciativas da Grã-Bretanha para explorar petróleo no arquipélago do Atlântico Sul.

"Na escola, aprendemos que as ilhas são argentinas. A Argentina reivindica a soberania e o governo está no seu direito de protestar contra as ações da Grã-Bretanha", disse o analista político Fidanza.

Plataforma

A nova disputa entre Argentina e Grã-Bretanha ocorre em meio à expectativa pela chegada da primeira plataforma de exploração de petróleo às ilhas, prevista para acontecer este fim de semana. A plataforma pertence a empresas privadas autorizadas pelo governo britânico a buscar hidrocarbonetos naquelas águas.

"A chegada da plataforma é um sinal de que ali pode existir petróleo. Nada está confirmado até agora. Mas, se realmente o petróleo for encontrado, a situação entre os dois países ficará ainda mais difícil", disse Montamat.

Para ele, a solução para a Argentina seria ampliar sua exploração petroleira no continente até a fronteira com a região no centro da disputa.

"Quanto mais empresas estiverem buscando petróleo no sul do país, mais chances teremos de encontrá-lo e autoridade para dizer que as empresas que estão aqui não poderão explorar na área em litígio", afirmou Montamat.

O ex-secretário de Energia da Argentina lembrou que, até agora, somente um consórcio que inclui a Petrobras está autorizado a procurar petróleo na região argentina.

Para ele, a discussão sobre a exploração petroleira nas Malvinas ganhou mais força devido à alta do preço do petróleo em relação às décadas de oitenta e noventa.

Montamat ressaltou que a política da Grã-Bretanha em relação às Malvinas foi "contínua", enquanto que a da Argentina foi de "sedução nos anos noventa, depois de indiferença até chegar a 2007, quando o governo de (Nestor) Kirchner rompeu unilateralmente essa relação".

Apoio internacional

O vice-presidente da Comissão de Relações Exteriores, deputado Ruperto Godoy, do partido governista Frente para a Vitória, disse em entrevista à BBC Brasil que a estratégia do governo será "pedir a solidariedade" de outros países nos fóruns internacionais, como na próxima reunião do Grupo do Rio, em março, no México.

"Compartilhamos a decisão do governo argentino de rejeitar a iniciativa da Grã-Bretanha de iniciar a exploração de petróleo, em área que está em conflito. Queremos que seja obedecida a determinação das Nações Unidas para que se encontre uma saída, através do diálogo, para a soberania das ilhas", afirmou o parlamentar.

Segundo ele, será votada, no Congresso argentino, uma declaração de "repúdio" às iniciativas inglesas em relação às Malvinas.

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