Petróleo das Malvinas pode ser economicamente inviável, diz empresa

O valor das ações da companhia petrolífera que está perfurando um poço nas ilhas Malvinas (Falklands, para os britânicos) caiu quase pela metade nesta segunda-feira depois que a empresa declarou que o petróleo da região pode não ser economicamente viável. O poço é o primeiro a ser perfurado na região em uma década e desencadeou uma crise diplomática entre Grã-Bretanha e Argentina.

BBC Brasil |

As Malvinas pertencem à Grã-Bretanha, mas elas ficam geograficamente próximas do litoral da Argentina, que reivindica a soberania sobre a região desde o século 19.

A Argentina invadiu o arquipélago em abril de 1982, iniciando uma guerra com a Grã-Bretanha. A vitória britânica, em junho do mesmo ano, não impediu Buenos Aires de continuar aspirando ao controle sobre as ilhas.

A exploração de petróleo pela companhia britânica reacendeu a polêmica. No entanto, em um anúncio durante o pregão desta segunda-feira, a companhia petrolífera Desire Petroleum afirmou que, segundo resultados iniciais obtidos com a perfuração na bacia norte das ilhas, as quantidades de petróleo encontradas podem ser pequenas ou de baixa qualidade.

Com o anúncio, o valor das ações da Desire fechou em queda de 49,5% na bolsa de Londres nesta segunda-feira.

A companhia afirmou que vai divulgar uma declaração mais detalhada a respeito das operações nas Malvinas até o final da semana. É possível que a Desire tenha que perfurar um poço ainda mais profundo para encontrar quantidades maiores de petróleo e gás.

Até que outros testes sejam realizados "não será possível determinar a importância dos hidrocarbonetos encontrados e se o poço necessitará ser perfurado mais profundamente, submetido a mais testes ou fechado e abandonado", afirmou a companhia.

Crise diplomática
O início da perfuração de poços de petróleo nas Malvinas, em fevereiro, levou a Argentina a ameaçar tomar "medidas adequadas" para paralisar a exploração de petróleo nas águas em volta das ilhas e a buscar o apoio de outros países da América Latina.

A presidente argentina Cristina Kirchner pediu até a intervenção dos EUA diante da Grã-Bretanha para que se possa discutir sobre as Malvinas.

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, disse, no início de março, que os EUA podem "encaminhar as negociações" e "estimular o diálogo" entre Argentina e Grã-Bretanha pela soberania das Malvinas.

O ministro das Relações Exteriores argentino, Jorge Taiana, se reuniu em fevereiro com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, em Nova York, para pedir a ajuda da entidade para convencer a Grã-Bretanha a rediscutir a soberania sobre as ilhas.

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