Petrobras só deixa Equador se for compensada, diz Celso Amorim

Rio de Janeiro, 8 out (EFE).- A Petrobras pode sair do Equador caso não chegue a um acordo em suas negociações com Quito, mas terá que ser compensada por seus investimentos, disse hoje o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.

EFE |

"Se as negociações não forem favoráveis, a Petrobras sairá, desde que possa sair adequadamente, sendo compensada pelos investimentos que fez", manifestou o ministro a jornalistas no Rio de Janeiro.

No sábado, o presidente do Equador, Rafael Correa, aconselhou cautela às petrolíferas estrangeiras que lá operam e as provocou a investirem, se não desejarem sair dali.

Depois, o ministro de Minas e Petróleos do Equador, Francês Chiriboga, advertiu que se a Petrobras não cumprir as exigências da nova política petrolífera do Governo, terá que negociar sua saída.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu ontem que a Petrobras poderia sair do Equador, mas confiou em que a negociação chegue "a bom termo".

"O próprio presidente Lula disse que se Petrobras tiver que sair do Equador sairá. Qual é o problema? Isso não é um problema", disse Amorim hoje.

O chanceler afirmou que o Brasil segue de perto as negociações, travadas diretamente entre a Petrobras e o Governo do Equador, e recomendou paciência por se tratar de um processo lento.

"Espero que isso seja resolvido. Acompanhamos e temos dado apoio (a Petrobras)", acrescentou.

Amorim lembrou que o Equador "quer passar todos os investimentos para contratos de prestação de serviços", e que embora algumas empresas já tenham aceitado essa modalidade "outras estão em desacordo".

O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, também dissera na véspera que a empresa não pretende permanecer no Equador como prestadora.

Celso Amorim frisou que as negociações tiveram dificuldades por envolverem recursos naturais e empresas estrangeiras.

"Tem um lado muito emocional num país que está em processo de mudança. Acabam de fazer um referendo e haverá outra escolha", disse o ministro.

No mês passado, Rafael Correa expulsou do país a empreiteira Odebrecht após um litígio originado por descoberta de falhas na construção de uma hidroelétrica.

Embora a empresa tenha aceitado depois um acordo, a oposição brasileira reivindica ao Governo uma postura mais firme nas relações com o Equador. EFE cm/++joc++/ap

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