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Petrobras é referência de transparência, diz relatório

Um relatório da organização Transparência Internacional (TI) divulgado nesta segunda-feira afirma que a atuação da Petrobras no mercado doméstico é referência de transparência entre as empresas do setor de petróleo e gás. O estudo, o primeiro da ONG em um tema semelhante, analisou as informações que as empresas fornecem em três áreas: pagamentos feitos aos governos onde atuam, operações em diversos países e ações corporativas anticorrupção.

BBC Brasil |

A Petrobras ficou entre as empresas com alta transparência no critério de operações nos diversos países, mas figura entre o grupo médio nos outros dois critérios.

No cômputo geral, entre as 42 empresas analisadas, a empresa brasileira foi listada no grupo das que demonstram "alto nível de transparência de receita", junto com gigantes como BG, Shell, StatoilHydro, ONGC, PetroChina, Sinopec e Pemex, entre outras.

A pesquisa é um esforço da TI de enfocar um recurso que, nas palavras do relatório, "gera grande riqueza em alguns dos países mais pobres do mundo".

"Governança ruim muito freqüentemente significa que esta riqueza corrói, ao invés de contribuir para o crescimento econômico e o desenvolvimento social", diz o relatório.

"Esse paradoxo se chama a maldição da abundância. Gestão transparente dos recursos é vital para transformar esta maldição em bênção."
Segundo a ONG, o compromisso com a transparência "não é uma prática comum" na indústria petroleira.

Avaliação
A pesquisa utilizou os dados de 19 empresas petroleiras que atuam internacionalmente e 23 que atuam no campo doméstico.

A ONG informou que utilizou informações publicadas pelas empresas, embora muitas delas, como a Petrobras, tenham aproveitado o estudo para precisar informações.

O lado mais preocupante da análise diz respeito às informações prestadas por petroleiras internacionais acerca dos pagamentos feitos aos governos onde atuam.

Em média, as empresas obtiveram uma "nota" de apenas 19% em relação à nota máxima que poderiam obter.

"Esta informação limitada da receita é desapontadora, porque a transparência em relação a esses ganhos é crucial para implementar melhores mecanismos de prestação de contas para monitorar o uso da riqueza dos naturais", comentou a TI.

Nesse mesmo critério, as empresas com atuação doméstica alcançaram 27% dos pontos que poderiam, calculou o estudo.

Os resultados foram mais animadores nas outras áreas. No que tange às informações sobre suas operações nos diversos países, as empresas internacionais receberam uma nota de 42%, enquanto as companhias com atuação doméstica tiveram nota de 52%.

Mas, entre as últimas, a ONG fez uma distinção entre empresas listadas em bolsa e não-listadas em bolsa. No primeiro caso, no qual se inclui a Petrobras, a Pemex e a StatoilHydro, por exemplo, a organização notou uma postura "ativa" no sentido de prover informações, motivada pela regulamentação do mercado doméstica e pelo próprio rigor dos investidores.

No que toca a publicação de esforços anticorrupção, tanto as empresas internacionais quanto as domésticas atingiram 58% do total de pontos, mas puxadas sobretudo pelas primeiras.

O relatório recomendou que as empresas aumentem seu nível de informação sobre suas atividades, sobretudo em relação aos países em que atuam.

De acordo com o estudo, nos países em que esta informação é requerida por lei, como Noruega e Cadaná, os níveis de transparência são maiores.

A ONG afirmou ainda que o esforço também tem de partir dos países que recebem as empresas. Governos devem "urgentemente" introduzir regulamentação para que as empresas sejam obrigadas a fornecer informações, disse a TI.

Além disso, o relatório pede que reguladores nos diversos países onde a atividade se realiza estabeleçam critérios e padrões semelhantes para medir o nível de prestação de contas das empresas petroleiras.

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