Petrobras diz que acordo não encerra impasse no Equador

A Petrobras disse nesta segunda-feira que, apesar de ter fechado um acordo provisório com o governo do Equador para continuar operando no país, o impasse entre os dois lados continua e ainda existe a chance de a companhia sair do país. Não foi assinado o acordo (definitivo). (O acordo anterior, com novas regras transitórias) foi estendido por mais um ano, enquanto continuamos as negociações que devem ser finalizadas dentro deste período, afirmou à BBC Brasil a assessoria da empresa.

BBC Brasil |

A empresa não quis detalhar as regras provisórias do contrato de exploração, mas, de acordo com a imprensa local, o Estado deverá contar com maior participação nos lucros da exploração do bloco 18, em que atua a Petrobras.

O Bloco 18, na região amazônica equatoriana, produz 32 mil dos 500 mil barris de petróleo que o país gera por dia.

Novas regras

No sábado, o presidente do Equador afirmou que com a Petrobras, "já está tudo acertado, ou seja, aceitaram as condições do país", afirmou Correa.

As novas regras para a exploração petrolífera estabelecem que o Estado arrecade todo o lucro obtido com a extração do petróleo, em troca do pagamento dos custos de produção. Apenas uma margem do lucro vai para as empresas estrangeiras.

Mas a Petrobras já disse que pode deixar o Equador se o governo insistir em submetê-la a essas regras.

"A Petrobras tem reiterado que não pretende migrar para um contrato de prestação de serviços", afirmou a assessora da empresa. "Esse não é o papel da Petrobras. A Petrobras quer ser operadora."

Super Tucanos

A ministra equatoriana das Relações Exteriores, María Isabel Salvador, negou que a tensão entre os governos do Brasil e Equador tenha suspendido a compra de 24 aviões de combate Super Tucano, da Embraer, que seriam vendidos ao Equador.

"Estão dizendo que, pelas más relações entre Brasil e Equador, o contrato dos Super Tucanos está paralisado. Isso é uma grande falsidade, não se paralisou nada", disse Salvador a jornalistas nesta segunda-feira.

Na semana passada, o jornal O Estado de S. Paulo publicou uma matéria afirmando que o governo equatoriano não havia levado ao Congresso o projeto que prevê a compra dos aviões brasileiros, o que, na interpretação do diário, era resultado da crise diplomática ocasionada pela expulsão da Odebrecht.

O governo equatoriano reitera que o problema é entre o governo e uma empresa privada, mas não esconde que a relação diplomática com o Brasil foi afetada.

"Não é um caso diplomático. Apesar disso, evidentemente, estamos em contato porque há um certo impacto na relação", afirmou a chanceler.

O contrato de compra dos Super Tucanos está estimando em US$ 250 milhões.

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