Petraeus recomenda pausa em retirada de tropas dos Estados Unidos no Iraque

Washington, 8 abr (EFE).- O chefe militar dos Estados Unidos no Iraque, general David Petraeus, recomendou hoje diante do Senado do país que, após julho, haja uma pausa de 45 dias na redução do contingente militar no país onde, segundo ele, os progressos são frágeis e reversíveis.

EFE |

Petraeus e o embaixador americano no Iraque, Ryan Crocker, compareceram hoje perante o Comitê de Forças Armadas do Senado e também o farão frente ao de Relações Exteriores.

A presença de Petraeus e Crocker nestes comitês provoca grande expectativa, já que deles fazem parte os senadores John McCain - aspirante republicano à Casa Branca -, Hillary Clinton e Barack Obama - que ainda disputam a candidatura presidencial democrata.

McCain e Hillary são membros do Comitê de Forças Armadas, enquanto que Obama integra o de Relações Exteriores. Esta é a primeira ocasião em que os três podem confrontar o principal responsável militar da Guerra do Iraque.

O primeiro a fazê-lo foi McCain, dado que a ordem da fala de cada parlamentar é concedida em função da antiguidade do posto no Senado.

Petraeus recomendou a existência de "uma pausa de 45 dias para uma avaliação sobre a conveniência de retirar mais tropas" depois de o Pentágono remover em julho quase a totalidade das cinco brigadas as quais acrescentou em 2007.

O presidente do Comitê de Forças Armadas, o democrata Carl Levin, do estado de Michigan, perguntou se o pedido do general significa "um compromisso sem limite de tempo".

"O que o senhor apresentou a seus superiores é um plano que não tem um limite", disse Levin, que perguntou a Petraeus quando poderia recomendar mais reduções de tropas após setembro.

"Pode ser imediatamente, ou pode levar mais tempo", disse o general.

Logo após a resposta de Petraeus, um manifestante que estava presente no local começou a gritar: "Tragam os soldados para casa agora!", até ser retirado à força pela Polícia do Capitólio.

Segundo o general, "este processo continuará com recomendações para reduções adicionais assim que as condições no terreno permitirem".

"Este enfoque não estabelece um cronograma fixo para as retiradas, mas proporciona aos comandantes no terreno a flexibilidade necessária para preservar os progressos de segurança, ainda frágeis, pelos quais os soldados tanto lutaram e se sacrificaram", disse o chefe militar.

Tanto Petraeus quanto o embaixador não deram uma resposta direta ao senador republicano John Warner, do estado da Virgínia, que perguntou se a campanha iraquiana, já em seu sexto ano, melhorou a segurança dos Estados Unidos.

O mandato da ONU para uma força multinacional no Iraque expira em 31 de dezembro deste ano e os termos do acordo que o Governo do presidente americano, George W. Bush, negocia com Bagdá serão motivo de outra audiência no Senado na quinta-feira.

Segundo Crocker, "o acordo não estabelecerá bases militares permanentes nem fixará os níveis de tropas" dos EUA no Iraque e "não deixará a próxima Administração de mãos atadas".

Ao se referir a recentes ataques na Zona Verde de Bagdá e em Basra, Levin opinou que "o aumento da violência cria dúvidas sobre o êxito militar da campanha" e sobre o propósito da mesma, a qual, segundo Bush, buscava "dar aos dirigentes iraquianos o espaço para que alcançassem uma solução política".

"Isto não foi possível", acrescentou o senador democrata.

Por outro lado, John McCain, que é o republicano de maior hierarquia neste comitê do Senado, sustentou que "o aumento da segurança levou a uma oportunidade mais ampla de solução política no Iraque".

Para o candidato republicano à Presidência americana, os EUA devem manter seu compromisso e sua presença militar no Iraque porque "uma guerra civil poderia levar a um genocídio" com repercussões em todo o Oriente Médio e na região do Golfo Pérsico.

Hillary Clinton discordou de McCain e disse ser "irresponsável a continuação de uma política que não deu os resultados prometidos por várias vezes, a um custo tremendo para nossa segurança nacional, e para os homens e mulheres que vestem o uniforme militar dos EUA".

Hillary - que em 2002 votou a favor da invasão do Iraque - disse hoje que "chegou o momento de iniciar um processo ordenado de retirada das tropas, para que tenha início a reconstituição da força militar" americana.

Petraeus e Crocker comparecerão hoje mesmo diante do Comitê de Relações Exteriores do Senado, ao qual pertence Barack Obama. EFE jab/bba/db

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