Petraeus é confirmado como novo líder das forças americanas no Oriente Médio

O general David Petraeus, atual chefe das forças dos Estados Unidos no Iraque, foi confirmado nesta quarta-feira como novo comandante-em-chefe das tropas americanas no Oriente Médio, na mudança de comando mais importante no Exército americano em tempos de tensão com o Irã.

AFP |

Segundo o secretário da Defesa, Robert Gates, Petraeus será substituído pelo general Raymond Odierno, que comandou as operações rotineiras de tropas americanas que reduziram sensivelmente a violência no Iraque.

"Com a concordância do chefe do Estado Maior Conjunto, recomendei e o presidente (George W. Bush) aceitou e nomeará o general David Petraeus como novo comandante do Comando Central", declarou Gates.

O posto era ocupado pelo almirante William Fallon, que há poucas semanas renunciou alegando que matérias na imprensa abordando suas diferenças com a Casa Branca a respeito do Irã haviam se tornado "uma distração".

A nomeação, que ainda precisa ser aprovada pelo Senado, transfere para Petraeus a responsabilidade pelos maiores desafios dos Estados Unidos atualmente - Iraque, Afeganistão, Paquistão e Irã.

Gates disse que recomendou Petraeus, que por assumir um posto com mandato de três anos permanecerá na próxima administração americana, "porque tenho total certeza de que ele é o melhor homem para o trabalho".

Referindo-se aos desafios "assimétricos" que os EUA enfrentam na região, Gates afirmou: "Não conheço ninguém no Exército americano que seja melhor qualificado para comandar aquela área".

"Me sinto honrado com a nomeação para esta posição e por ter uma oportunidade de continuar servindo junto com os soldados, marinheiros, pilotos, fuzileiros, guardas-costeiros e civis dos Estados Unidos", declarou David Petraeus em um comunicado.

Perguntado se a nomeação de Petraeus indicava algum tipo de mudança que levasse à adoção de uma postura mais linha-dura em relação ao Irã - já que Fallon priorizava o diálogo e a diplomacia para lidar com Teerã -, o secretário afirmou que Odierno, Petraeus e Fallon "têm a exata mesma posição no que diz respeito à interferência iraniana no Iraque".

"E isso é uma posição difícil, porque os iranianos estão matando soldados americanos, dentro do Iraque. Assim sendo, eu não acredito que haja qualquer diferença entre eles sobre esse assunto", declarou.

Falando no Congresso no início deste mês, o general Petraeus pediu a suspensão por tempo indefinido da retirada de tropas e destacou o papel "destrutivo" assumido pelo Irã ao apoiar grupos armados xiitas no Iraque.

Dois dias depois, o presidente George W. Bush declarou o Irã e a Al-Qaeda como "duas das maiores ameaças enfrentadas pelos Estados Unidos neste século".

Petraeus sempre foi cuidadoso ao fazer comentários públicos sobre o Irã, restringindo-os às atividades ligadas às operações por ele coordenadas no Iraque. Assim sendo, suas opiniões a respeito do país num âmbito mais amplo dentro do Oriente Médio ainda são desconhecidas.

Robert Gates e seus conselheiros militares já deixaram claro que qualquer ação militar contra o Irã seria um último recurso caso não houvesse mais o que fazer.

No Afeganistão, Petraeus será responsável apenas pelas forças americanas (formadas principalmente por unidades de contra-terrorismo e instrutores), e não sobre o efetivo da Isaf (efetivo internacional da Otan).

Petraeus não deixará seu posto no Iraque até o fim do verão ou início do outono no hemisfério Norte.

jm/ap/sd

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