A única coisa que temo como cineasta é a repetição, afirmou o diretor neozelandês Peter Jackson ao falar em Los Angeles sobre sua adaptação de Um Olhar do Paraíso, uma viagem de visual surrealista sobre o assassinato de uma menina.

"Não tenho nenhum interesse em fazer o mesmo mais de uma vez, o que não quer dizer que eu não faria outro filme de fantasia, ou algum dia uma obra de 'splatter' (terror) ou uma com fantoches", afirmou em uma entrevista coletiva o responsável pela adaptação da saga "O Senhor dos Anéis".

"Sempre é bom ter um descanso e é genial para que a mente se fixe em algo diferente. Neste sentido, 'Um Olhar do Paraíso' foi um desafio", declarou o cineasta ao lado do elenco deste drama, que terá estreia nos nacional nos Estados Unidos em 15 de janeiro.

Jackson assumiu o desafio de adaptar o romance "Lovely Bones", de Alice Sebold, que chamou de "quebra-cabeças maravilhoso". A história parte do estupro e assassinato de uma menina para narrar a dor dos que ficam e a percepção da menor assassinada.

"'The Lovely Bones' é um quebra-cabeças maravilhoso. É um livro fantástico, que te afeta emocionalmente, mas o livro não tem uma estrutura que apresente de forma inmediata um filme em sua mente", explicou Jackson que, aos 48 anos e bem mais magro que na época de "Senhor dos Anéis", prepara com o mexicano Guillermo del Toro a adaptação de outra obra de J. K. K. Tolkien, "O Hobbit" para 2011.

O filme tem um elenco de primeira linha: Rachel Weisz, Susan Sarandon, Rose McIver e Mark Wahlberg, que circundam a personagem 'Susie Salmon', interpretada por Saoirse Ronan, a adolescente de 15 anos que foi indicada para o Oscar de atriz coadjuvante por "Desejo e Reparação" (2007).

"Não é apenas uma história simples e, como cineasta, encontrar uma maneira de levá-la ao cinema era um desafio", explicou Jackson em um hotel de Beverly Hills.

Com a força de imagens psicodélicas e fantásticas, o thriller tem uma atuação assombrosa de Stanley Tucci, o vilão da trama, que, mais acostumado a filmes de comédia, teve dúvidas de aceitar o papel.

"Tenho filhos e não posso ler nem ver nada em que crianças são machucadas", conta o ator de 49 anos, pai de três filhos e viúvo desde abril.

Tucci explicou que também não gosta de roteiros de 'serial killers', mas que se encantou com o filme "porque é uma bela história sobre a exploração da perda", acrescentou o marido de Julia Child em "Julie & Julia" e assessor da editora implacável de "O Diabo Veste Prada", ambos em parceria com Meryl Streep.

A nota de humor do filme ficou com Susan Sarandon, uma atriz que brilha cada vez mais com a maturidade.

"O bonito deste filme é que te diz para viver sua vida e aproveitar enquanto pode, porque o que dá medo é justamente aquilo que acontece de maneira fortuita", diz Sarandon, que na coletiva sempre manteve o tom jocoso e de não levar a sério as próprias palavras sobre a personagem da mulher dopada de álcool ou sedativos que não tende para o drama.

Uma das críticas ao filme, que já teve estreia parcial em Los Angeles e Nova York, é que omitiu o violento assassinato da menina. Jackson defendeu o filme ao afirmar que a cena era injustificável e que sempre quis fazer um filme apto para adolescentes.

"Para mim, adaptar um livro não é uma questão de produzir uma xerox do livro. É impossível. Para incluir tudo, o filme teria de cinco a seis horas de duração", conclui o vencedor do Oscar por "Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei".

pb/fp

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