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Pessoas ainda estão dispostas a torturar , diz estudo

Mais de 40 anos depois de uma polêmica experiência sobre tortura realizada nos Estados Unidos, cientistas descobriram que voluntários ainda estariam dispostos a praticar o ato se recebessem uma ordem.

BBC Brasil |

Pesquisadores da Universidade de Santa Clara, no Estado da Califórnia, repetiram o famoso "Teste Milgram", que em 1963 concluiu que 70% dos voluntários se mostraram dispostos a aumentar a voltagem de choques elétricos dados a outras pessoas.

Na ocasião, o professor Stanley Milgram, da Universidade de Yale, recrutou voluntários dizendo que ajudariam a realizar uma experiência médica, sem saber que na verdade eles seriam o objeto do estudo.

Eles também não sabiam que estavam aplicando choques falsos a atores. Mesmo depois de ouvirem os "gritos" de dor, a maioria dos voluntários se mostrou disposta a aumentar a voltagem dos choques - alguns chegaram a continuar aplicando os choques mesmo quando não havia mais resposta do ator.

'Pressão'

O estudo atual, divulgado na revista da Associação Americana de Psicologia, utilizou o mesmo formato. A maioria dos voluntários se mostrou disposta a realizar os choques, mesmo sabendo que iriam provocar dor em outro ser humano.

Segundo Jerry Burger, chefe da nova experiência, não há necessariamente "algo errado" com os voluntários. "Quando estão sob forte pressão, as pessoas fazem coisas desconcertantes".

Para o cientista, o experimento serve para explicar em parte por que, em tempos de guerra, pessoas comuns acabam cometendo atrocidades.

O "Teste Milgram" também foi recentemente replicado na Grã-Bretanha para um documentário da BBC, e os resultados também foram semelhantes.

"Não devemos concluir que esses voluntários não são mais boas pessoas - há uma enorme influência social também", explicou a psicóloga Abigail San, que coordenou a experiência.

Ela lembra que foi dito aos voluntários que os choques aplicados à outras pessoas faziam parte de uma complicada tarefa de uma pesquisa científica.

"Eles tendem a se identificar enormemente com a 'pesquisa' e deixam de prestar atenção nas súplicas dos 'torturados'", disse San. "Eles não se lembram de se perguntar qual sua posição moral diante de tudo isso."

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