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Pesquisas indicam vitória do sim em referendo autonomista na Bolívia

La Paz/Tarija (Bolívia), 22 jun (EFE).- A autonomia do departamento (estado) de Tarija, no sul da Bolívia, foi aprovada hoje por 80% dos que votaram no referendo promovido pelo Governo local, indicam pesquisas de boca-de-urna divulgadas por redes de TV.

EFE |

Segundo a sondagem do canal "ATB", 80,3% da população com direito a voto disse "sim" à autonomia de Tarija, enquanto 19,7% dos aptos a votar se posicionaram contra o status.

Resultados similares foram mostrados pelas pesquisas da rede "PAT" e da "Unitel", de acordo com as quais o "sim" venceu com 79% dos votos, enquanto o "não" obteve o apoio de 21% dos eleitores.

Pouco após a divulgação das primeiras pesquisas, a população da capital, que também se chama Tarija, começou a se reunir na praça central da cidade para comemorar a autonomia, que, assim como as de Santa Cruz, Beni e Pando, não vai ser reconhecida pelo presidente do país, Evo Morales.

Santa Cruz foi o primeiro departamento boliviano a aprovar sua autonomia, com o apoio de 85,6% dos votantes, enquanto em Beni (nordeste) e em Pando o "sim" venceu com 79,5% e 81,9% dos votos, respectivamente.

A Corte Eleitoral Departamental de Tarija espera poder divulgar ainda hoje à noite dados parciais da apuração. Mas os resultados definitivos da consulta só serão conhecidos amanhã, disse o responsável pelo órgão, Miguel Ángel Guzman.

O referendo realizado hoje em Tarija fecha o ciclo de consultas autonomistas promovidas pela chamada "meia lua", como é conhecida a região integrada por este departamento e os de Santa Cruz, Beni e Pando, todos governados por opositores a Morales.

Os governadores dessas três localidades, junto com o de Cochabamba, o também opositor Manfred Reyes Villa, foram a Tarija apoiar o chefe do Governo local, Mario Cossío, e a consulta de hoje.

Amanhã, os líderes regionais se reunirão no Conselho Nacional Democrático (Conalde), integrado por todas as regiões opositoras, para tomar decisões sobre a crise política do país.

Vários desses governadores regionais confirmaram à Agência Efe que, durante o encontro, será fixada uma posição definitiva sobre o futuro do bloco autônomo constituído na Bolívia e sobre o referendo revogatório convocado para 10 de agosto.

Na consulta que acontecerá daqui a dois meses, os bolivianos decidirão sobre a continuidade dos mandatos de Morales, de seu vice-presidente, Álvaro García Linera, e dos governadores regionais do país.

Esse referendo revogatório foi convocado por Morales, com o apoio da oposição no Congresso. Porém, a votação foi rejeitada pelos governadores opositores e líderes regionais, que acham que ela não solucionará a crise política que o país vive e deixa em segundo plano a agenda autônoma.

Sobre a consulta, o governador Reyes Villa disse que a Corte Nacional Eleitoral (CNE), que é acusada de ser controlada por uma pessoa ligada ao presidente, não tem nenhuma "credibilidade" para conduzir o processo.

O líder opositor também disse que podem ser "tomados vários caminhos" para frear o referendo revogatório, já que, segundo disse, a votação "não definirá nada e será cara".

Seu colega de Santa Cruz também condenou a consulta, ao afirmar que ela "não tem nem pé nem cabeça", é "ilegal", tirará as regiões de sua rota autonomista e criará "uma cortina de fumaça" em relação aos problemas cotidianos da população.

Por sua vez, o governador de Pando disse que o referendo só gerará "cenários de profundo confronto", que podem trazer dias "mais tristes" para o país. EFE ja/sc

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