Pesquisas indicam vitória de Livni, mas Netanyahu desconhece resultado

Alberto Masegosa. Jerusalém, 10 fev (EFE).- O partido centrista Kadima, da ministra de Relações Exteriores Tzipi Livni, ganhou as eleições gerais de hoje em Israel, segundo pesquisas de boca-de-urna divulgadas às 22h (18h de Brasília), mas seu rival conservador, Benjamin Netanyahu, do Likud, se apressou a rejeitar os resultados.

EFE |

Se a apuração oficial confirmar esse resultado, isso daria a Livni a possibilidade de tentar formar Governo, algo no que, no entanto, seu rival teria melhores opções, caso a líder do Kadima fracasse.

De acordo com as pesquisas das emissoras de televisão "Canal 1" e "Canal 10", o Kadima teria conquistado 30 deputados, contra 28 do Likud, enquanto o "Canal 2" estipula 29 assentos ao partido de Livni, frente aos 27 do de Netanyahu.

Outra pesquisa, disponibilizada na versão digital do jornal "Yedioth Ahronoth", concede 28 cadeiras ao Kadima e 26 ao Likud.

Nenhuma das pesquisas é oficial e será preciso esperar a apuração dos votos, cujos primeiros resultados parciais devem começar a ser divulgados a partir de meia-noite (hora local).

Se as pesquisas se confirmarem, a alta participação, maior que o previsto e que passou de 65%, apesar do mau tempo, em um dia em que não parou de chover, teria beneficiado o Kadima.

O Likud abria uma certa vantagem em relação ao Kadima nas pesquisas anteriores, e os analistas consideravam que só uma alta participação dos cerca de um milhão de indecisos - 20% do eleitorado - permitiria à legenda de Livni ultrapassar a de Netanyahu.

A vitória dá à líder do Kadima a oportunidade de tentar formar uma nova maioria entre os 120 membros do Parlamento.

E nessa tentativa são decisivos o partido ultradireitista Yisrael Beiteinu de Avigdor Leiberman, e o esquerdista Partido Trabalhista de Ehud Barak, aos quais as pesquisas de boca-de-urna concedem 15 e 14 deputados, respectivamente.

O apoio dos trabalhistas não seria suficiente para Livni formar o novo Executivo perante a maioria de partidos conservadores no arco parlamentar, no qual a líder do Kadima teria que contar com legendas de caráter ultraortodoxo.

Caso suas gestões não deem frutos, Livni seria então obrigada a recorrer a Yisrael Beiteinu, um partido de vertentes xenófobas que teria piores repercussões do que os ultraortodoxos em uma eventual maioria parlamentar de centro-esquerda.

As diferentes possibilidades centrarão os esforços de Livni nas três semanas que possui para tentar integrar um gabinete, sem que se possa descartar uma coalizão entre Kadima e Likud, no que seria mais semelhante a um Governo de união nacional.

Como se estivesse se antecipando aos eventos, o próprio Netanyahu assegurou hoje que será o próximo primeiro-ministro israelense, apesar do aparente golpe que recebeu nas urnas, já que, há alguns meses, todas as pesquisas o apontavam como um claro vencedor no pleito.

"Eu serei o Governo de Israel. Peço a todas as forças nacionais que se alinhem atrás de mim para mudar o Governo", disse o líder do Likud ao "Canal 2" da televisão.

Porém, se adiantando ao feroz jogo de negociações que se vislumbrava no cenário político israelense, a presidente do Parlamento e dirigente do Kadima, Dalia Itzik, afirmou que será Livni quem formará o próximo Executivo do Estado judeu.

"Não formou o (Governo) anterior, e não formará o próximo", disse em entrevista ao "Canal 1" a presidente do Parlamento sobre as ambições do líder conservador e chefe da oposição. EFE ap/db

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