Pesquisas indicam que Lugo tem grandes chances de garantir presidência

Assunção, 20 abr (EFE).- Segundo as pesquisas de boca de urna o ex-bispo católico Fernando Lugo tem grandes chances de acabar com uma hegemonia de 61 anos do Partido Colorado no Paraguai, pois aparece com uma vantagem de três a seis pontos percentuais sobre a governista Blanca Ovelar.

EFE |

Uma pesquisa divulgada em conjunto pela "Radio Ñandutí" e o jornal "ABC Color" indica que Lugo tem 43% da preferência sobre os 37% de Ovelar, uma diferença maior que a apresentada pelo jornal "Ultima Hora", que concede ao ex-bispo 40,1% dos votos, quase três pontos percentuais de vantagem sobre Ovelar.

A pesquisa realizada pelo "Canal 9" situou em 3,5 pontos percentuais a vantagem de Lugo, com 41,4% dos votos contra 37,9% para a ex-ministra da Educação.

Em todas as pesquisas, o general reformado Lino Oviedo, da União Nacional de Cidadãos Éticos (Unace), aparece no terceiro lugar.

As projeções, divulgadas uma hora após o fechamento dos colégios eleitorais como estabelece a legislação paraguaia, mostravam Lugo, de 56 anos, o tempo todo na dianteira das pesquisas divulgadas pela imprensa.

Minutos antes de serem publicadas as projeções, Ovelar surpreendentemente anunciou que suas informações de boca de urna apresentavam um empate técnico.

Muito mais otimista é a pesquisa própria da Aliança Patriótica para a Mudança (APC), que concedia a Lugo 49,6% das intenções de voto.

Caso estas informações sejam confirmadas pelos resultados que serão divulgados esta noite pelo Tribunal Superior de Justiça Eleitoral (TSJE) do Paraguai, Lugo terá quebrado 61 anos de hegemonia do partido mais antigo no poder na América Latina.

As eleições "serão definidas pela curtíssima diferença e vamos aguardar os resultados com muita confiança", declarou Ovelar, que afirmou que "é necessário estar consciente de que o tribunal eleitoral é a única instituição responsável por dar resultados".

Lugo, que em sua época de bispo de San Pedro - região mais pobre do Paraguai - foi considerado um partidário da Teologia da Libertação no país, conseguiu reunir em torno de sua figura uma coalizão liderada pelo Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA).

Já Oviedo declarou aos jornalistas que esperará por resultados mais consolidados para se pronunciar, apesar de ter sido rompido o pacto firmado de que nenhum dos candidatos se autoproclamará vencedor para evitar focos de violência.

Logo após serem divulgados os primeiros resultados começaram a ser escutados fogos de artifício em Assunção, cujo centro pode se transformar em uma festa caso seja confirmada a vitória de Lugo com as informações do Tribunal Eleitoral.

As votações aconteceram em absoluta calma e com uma participação que as autoridades esperam que ultrapasse os 67% registrados quando Nicanor Duarte foi eleito presidente.

Tanto o ex-presidente da Colômbia Andrés Pastrana, que lidera uma missão da Fundação Internacional para Sistemas Eleitorais (IFES, sua sigla em inglês), como a ex-chanceler deste país María Emma Mejía, que lidera a delegação da Organização dos Estados Americanos (OEA), destacaram o comportamento dos eleitores.

"Foi um dia de festa pacífica", declarou Pastrana, ao reivindicar que os políticos estejam à altura dos cidadãos deste país, que, salvo incidentes isolados, foram tranqüilamente aos locais de votação.

O silêncio dos dirigentes colorados contrastava com a euforia dos partidários de Lugo, que se concentraram em frente ao seu posto de comando e agitavam as bandeiras dos diferentes partidos que formam a Aliança. EFE lb-ja/bf/fal

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