Pesquisas e apuração inicial apontam vitória de Viktor Yanukovich na Ucrânia

Boris Klimenko Kiev, 7 fev (EFE).- Os primeiros resultados oficiais do segundo turno das eleições presidenciais na Ucrânia celebradas hoje dão uma vantagem de sete pontos percentuais ao líder opositor, Viktor Yanukovich, frente à primeira-ministra, Yulia Timoshenko.

EFE |

De acordo com a apuração de 2,07% das urnas, Yanukovich obteve 51,36% dos votos, contra 44,16% dados a Timoshenko.

As pesquisas boca-de-urna confirmaram hoje unanimemente a vitória de Yanukovich, mas a rival, a primeira-ministra Yulia Timoshenko, não se deu por vencida e quer lutar por cada voto.

De acordo com as pesquisas, Yanukovich supera com uma margem entre 3 e 6 pontos percentuais a "princesa da Revolução Laranja", que há cinco anos venceu a Presidência na Ucrânia, país de 47 milhões de habitantes.

"Os resultados das pesquisas a boca-de-urna são somente sociologia. A diferença (a favor de Yanukovich) é da ordem de 3% e está dentro da margem de erro sociológico", disse Timoshenko.

A primeira-ministra ressaltou que ainda é muito cedo para se tirar conclusões. "Tudo dependerá de como nossa equipe defenderá os resultados nas regiões", disse, citada pelo site "Korrespondent.net".

Timoshenko convocou seus partidários a "defender cada cédula, cada voto, porque um voto pode decidir o destino do país", pouco depois de seu chefe de campanha, Alexander Turchinov, se queixar de irregularidades nas eleições.

"Infelizmente essas foram uma das eleições mais sujas. Não pudemos evitar grandes fraudes", disse Turchinov. Ele acrescentou que, assim que se receber as denúncias, será possível reconhecer ou não os resultados em determinados colégios.

Ao longo do dia de votação, Turchinov anunciou que exigirá anular os resultados onde tenha ocorrido fraude eleitoral. Ele se referiu em particular aos colégios eleitorais da região de Donetsk, reduto de Yanukovich, onde, segundo os dados da Comissão Eleitoral Central, a participação foi a mais alta do país.

No escritório de campanha da primeira-ministra, confia-se que inclusive os resultados definitivos das pesquisas boca-de-urna variem, pois os que foram anunciados correspondiam a dados obtidos a duas horas do fechamento das urnas.

Às vésperas do segundo turno, a própria Timoshenko advertiu que convocaria seus partidários às ruas em caso de falsificação dos resultados eleitorais.

No escritório da campanha do líder opositor, enquanto isso, espera-se que a primeira-ministra admita sua derrota.

Boris Kolesnikov, "número dois" do Partido das Regiões, que lidera Yanukovich, disse esperar que Timoshenko se comporte como um político europeu e admita sua derrota.

"Para o candidato perdedor, esse seria o primeiro passo para considerá-lo um político europeu, porque o reconhecimento dos resultados eleitorais é a norma europeia", disse à imprensa na primeira reação aos resultados das pesquisas.

"Se alguém comemora a vitória ou se declara vencedor antes da apuração real, será uma manipulação da consciência do povo. Até que não se conte a última cédula, é impossível falar de resultados", disse, por sua vez, Timoshenko.

A primeira-ministra acrescentou: "o país lembra tempos quando não só se declaravam presidentes eleitos mas também os parabenizavam", em alusão a Yanukovich, que às vésperas da Revolução Laranja foi declarado presidente eleito e parabenizado pelo então presidente russo, Vladimir Putin.

"Depois os fatos foram bem diferentes", disse, ao lembrar como a revolta popular forçou a anulação dos resultados que davam a vitória a Yanukovich.

A estreita margem entre os dois candidatos a suceder o atual chefe de Estado, Viktor Yushchenko, promete longas batalhas judiciais por cada cédula eleitoral.

Em declarações ao "Canal 5" de televisão, a chefe adjunta do Secretariado da Presidência, Marina Stavnichuk, disse que o chefe do Estado está preparado para entregar o poder ao novo presidente.

"Esperamos que não haja confronto e que seja garantida a transferência legal e tranquila do poder", ressaltou.

Ao mesmo tempo, Stavnichuk previu que os resultados eleitorais serão contestados nos tribunais.

"Pelo visto, a pequena diferença entre os candidatos levará cada um deles a lutar por seu resultado", afirmou.

A participação, de acordo com dados provisórios, superou ligeiramente a do primeiro turno. Na ocasião, Yanukovich ficou em vantagem por pouco mais de dez pontos percentuais sobre Timoshenko.

EFE bk/sa

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