Pesquisas diferentes revelam novas potencialidades do cérebro

(embargada até as 15h de Brasília desta quarta-feira) Washington, 23 dez (EFE) - O cérebro responde de forma mais ativa perante os objetos de valor e ajuda a tomar melhores decisões com a informação que recebe, afirmaram dois estudos divulgados hoje pela revista Neuron. Um estudo feito por cientistas da Universidade da Califórnia afirma que o cérebro possui algumas áreas responsáveis pela visão que respondem de forma mais intensa aos objetos que consideramos de valor. John Serences, professor auxiliar de psicologia e diretor do Laboratório de Percepção e Conhecimento, destaca que, há muito tempo, sabe-se que a recompensa exerce influência nas decisões do ser humano (e dos animais, em geral). No entanto, até agora se sabia muito pouco sobre como as recompensas afetam os processos cerebrais, especificamente no que diz respeito à visão, ressaltou. É possível que vejamos as coisas de maneira diferente se, ao vê-las antes, recebemos alguma recompensa, disse. Com o objetivo de responder a essa dúvida, os cientistas usaram a ressonância magnética para examinar o processo visual e seu funcionamento, segundo o valor das coisas. Para isso, os cientistas pediram que os voluntários escolhessem entre objetos que variavam em preço. Por exemplo, os verdes valiam US$ 0,10 ou nada, e os vermelhos, até US$ 10.

EFE |

Os estudos indicaram que o valor alterava o funcionamento neurológico em várias áreas do sistema visual no cérebro.

"Quando um objeto tinha sido valioso e sua escolha tinha tido uma recompensa, o sistema visual o representava de maneira muito mais marcada", indicou Serences.

No outro estudo, cientistas da Universidade de Rochester descobriram que o cérebro está capacitado para a informação fornecida e, assim, para tomar melhores decisões do que se acreditava.

Segundo Daniel Kahneman e Amos Tversky, ganhadores do Prêmio Nobel em 2007 por sua pesquisa em neurologia, os seres humanos em raras ocasiões tomam decisões que poderiam ser chamadas de racionais.

No entanto, Alex Pouget, professor de ciências do conhecimento e do cérebro, afirma em seu estudo que, pelo contrário, as pessoas tomam decisões ótimas, mas principalmente quando estas são inconscientes.

Segundo ele, a maior parte das pesquisas tinha sido realizada até agora com as decisões conscientes, "mas a maioria de nossas decisões não é tomada de forma consciente", destacou.

Como exemplo, lembrou que uma pessoa não pensa muito quando vê uma luz vermelha e para, ou quando evita um obstáculo perigoso.

"Quando começamos a observar as decisões tomadas pelo cérebro sem nosso conhecimento, descobrimos que quase sempre são as corretas e segundo a informação com a qual conta", disse Pouget.

O cientista explicou que essa capacidade do cérebro foi confirmada em uma série de experiências com voluntários e a principal conclusão é que essa virtude acelera nossa capacidade de empreender uma ação.

"Se tivéssemos que esperar até estar 99% certos de nossa decisão, perderíamos muito tempo acumulando informação desnecessária", indicou. EFE ojl/db

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