La Paz, 10 ago (EFE).- De acordo com as pesquisas, o presidente Evo Morales saiu como o grande vencedor do referendo revogatório realizado hoje na Bolívia, que não só o ratificam no cargo, mas ampliam o apoio eleitoral que o levou ao poder em dezembro de 2005.

As pesquisas e contagens rápidas divulgadas pelos meios de imprensa bolivianos, após o fechamento da jornada eleitoral, dão a Morales um apoio de entre 56,7% e 60,1%, acima dos 53,7% alcançado nas últimas eleições presidenciais.

Mas além disso, as pesquisas coincidem que com este referendo Morales se "livra" de dois governadores regionais opositores: o de La Paz, José Luis Paredes, e o de Cochabamba, Manfred Reyes Villa, embora perderia o governista de Oruro, Alberto Aguilar.

No entanto, as enquetes também reforçam os principais opositores de Morales, os governadores regionais autonomistas da chamada Meia Lua (Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija) que são ratificados e alguns também com boa nota.

Evo Morales Aima nasceu no dia 26 de outubro de 1959 na localidade de Orinoca, no departamento andino de Oruro, no seio de uma família de camponeses aimarás.

Em sua infância foi pastor de lhamas e estudou em Oruro, onde trabalhou como padeiro, pedreiro e trompetista, além de ter sido jogador de futebol.

Na década dos 80 emigrou para a região tropical de Chapare, onde iniciou sua atividade sindical até chegar a ser o principal dirigente do setor em 1994, quando ocupou a Presidência das Cinco Federações do Trópico de Cochabamba.

A carreira política de Morales foi iniciada em 1997 quando concorreu às eleições presidenciais daquele ano pela coalizão Esquerda Unida (IU). Foi eleito parlamentar em representação do departamento de Cochabamba e foi o deputado mais votado em uma só circunscrição.

Naquela época, já tinha viajado para Cuba e entrado em contato com líderes do regime castrista. Morales considera Cuba e Venezuela seus aliados na luta contra o "imperialismo" americano.

Em março de 2002 foi proclamado candidato eleitoral do Movimento ao Socialismo (MAS), seu atual partido. Nesse pleito foi o segundo candidato mais votado, atrás de Gonzalo Sánchez de Lozada.

Morales dirigiu um movimento de vários sindicatos e partidos políticos socialistas para enfrentar o então presidente Gonzalo Sánchez de Lozada em seu segundo mandato (2002-2003).

Liderou a revolta social que provocou em outubro de 2003, após um mês de distúrbios em La Paz nos quais morreram mais de 60 pessoas, a renúncia e fuga de Sánchez de Lozada e a nomeação de Carlos Mesa como novo presidente da Bolívia (2003-2005).

O MAS de Morales foi também o principal impulsor dos protestos que se desenvolveram na Bolívia em 2005 para exigir a nacionalização do gás e do petróleo, a convocação de uma Assembléia Constituinte e de um referendo autônomo.

Esta situação de conflito derivou em uma grave crise que provocou a renúncia de Carlos Mesa e sua substituição por Eduardo Rodríguez.

Em julho de 2005, Evo Morales foi eleito candidato à Presidência da Bolívia pelo MAS e em dezembro alcançou uma vitória incontestável nas urnas, ao conseguir 53,7% dos votos, o maior respaldo obtido por um candidato desde que a democracia foi restabelecida no país, em 1982.

Assumiu a Presidência no dia 22 de janeiro de 2006, após ser "abençoado" no dia anterior como chefe máximo dos povos indígenas em um ritual aimará realizado no santuário pré-colombino de Tiahuanaco.

Evo Morales é o presidente número 65 da Bolívia e o primeiro indígena eleito democraticamente na história deste país.

Morales chegou ao referendo recém superada a metade de seu mandato, dois anos e meio, batendo o recorde de permanência no cargo se for comparado com seus quatro antecessores.

Sua gestão interna foi marcada pelo processo de nacionalização do setor dos hidrocarbonetos, que estendeu a outros serviços públicos como telefonia e eletricidade.

Mas seu principal projeto, ainda não completado, é a refundação constitucional da Bolívia com uma nova Carta Magna.

A Constituição de Morales foi o principal ponto de conflito com a oposição, após uma questionada Assembléia Constituinte que concluiu em novembro de 2007 a redação e aprovação inicial do texto no meio de um violento conflito em Sucre, que deixou um saldo de três mortos e mais de 300 feridos.

O texto que um mês depois foi aprovado em Oruro precisa ainda ser ratificado em referendo para sua aplicação definitiva.

Em 2008, Morales enfrentou a ferrenha oposição de vários governadores regionais que, liderados pelo departamento de Santa Cruz, empreenderam um processo de autonomia à margem do Governo e do Congresso nacionais. EFE sam/ma

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