(embargada até às 13h, horário de Brasília) Berlim, 7 ago (EFE).- Pesquisadores do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva, na Alemanha, revelaram o genoma mitocondrial completo de um Neandertal de 38 mil anos, o que permitirá o avanço do estudo das relações entre este homem primitivo e o Homo sapiens.

"Pela primeira vez construímos uma seqüência com DNA antigo que essencialmente não contém erros", declarou Richard Green, um dos pesquisadores.

Segundo um estudo que será publicado nesta sexta pela revista científica "Cell", as pesquisas realizadas pelo instituto mostram que a mitocôndria dos Neandertais não coincide com a variação observada no homem atual.

A pesquisa não oferece evidências de que a informação genética de ambas as gerações tenha se misturado com a passagem dos anos - o que é defendido por alguns cientistas -, apesar de esta continuar sendo uma possibilidade, explicou o instituto.

O ponto principal da experiência reside na seqüência repetida da medula espinhal da mitocôndria celular, com seu próprio material genético, incluindo 13 genes de codificação de proteínas.

A pesquisa revela que o último antepassado comum do Neandertal e do Homo sapiens viveu há cerca de 600 mil anos, com margem de erro de 140 mil.

Dentre outras conclusões, o estudo ressalta que os homens primitivos passaram por um número menor de mudanças genéticas em comparação ao Homo sapiens, mas muitos deles sofreram alterações na base aminoácida das proteínas.

Como explicação, os pesquisadores dizem que, por causa da menor população Neandertal em comparação com a de Homo sapiens, "a seleção natural seria menos efetiva na eliminação das mutações".

"Muitos argumentam que existiram milhares de Neandertais que viveram na Europa há 40 mil anos", diz o co-autor do estudo, Johannes Krauss, que garantiu que este número inferior de hominídeos é explicado pelo menor tamanho da Europa em relação à África e pelas glaciações.

Green diz não poder afirmar ainda se esse grupo de Neandertais era maioria ou se era um grupo não majoritário.

A equipe de investigação do Instituto Max Planck deseja analisar a carga genética de Neandertais anteriores à Idade do Bronze para poder buscar indícios que demonstrem que estas concentrações de indivíduos foram maiores no passado.

Tecnicamente, o genoma mitocondrial apresentado no estudo é um "precursor útil" para poder vir após o genoma genético completo do Neandertal, algo que já está sendo trabalhado. EFE nvm/fh/fal

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