Pesquisadores apagam seletivamente lembranças no cérebro de ratos

Redação central, 22 out (EFE) - Uma equipe de pesquisadores do Colégio Médico da Geórgia (Estados Unidos) conseguiu apagar, seletivamente e sob controle, uma série de recordações do cérebro dos ratos. A revista Neuron, do grupo Cell Press, publica hoje a descrição do método que a equipe do pesquisador Joe Z. Tsien desenvolveu.

EFE |

Este neurobiólogo saltou à fama em 1999, quando criou ratos transgênicos -os Doodies- que aprendiam e lembravam mais que os normais.

Esses ratos produziam mais receptores NMDA, complexos situados na membrana dos neurônios cuja ativação dá origem ao impulso nervoso.

Nesta ocasião, a equipe de Tsien manipulou geneticamente os ratos para que produzissem, na parte anterior do cérebro, mais quantidade de enzima CaMKII, chamada de "molécula da memória", e, além disso, para que fizessem isso no momento desejado.

"Usamos um composto para 'acender' e 'apagar' especificamente esta enzima (a CaMKII) no momento que se recupera a lembrança", explicou Tsien à Agência Efe.

"Este composto pode atravessar a Barreira Hematoencefálica, mas só funciona sobre o transgene que introduzimos no rato. Ele é conhecido como um inibidor sensibilizado geneticamente, que não tem efeito algum sobre nenhuma proteína natural do corpo", acrescentou.

Surpreendentemente, diz o pesquisador, os cientistas descobriram que ativar a produção da CaMKII no momento de evocar leva ao "apagamento imediato da lembrança em particular que esteja sendo recuperada, enquanto o resto de lembranças que não são trazidas à memória ficam intactos".

No estudo, os pesquisadores testaram a memória dos roedores para lembrar objetos novos e algumas experiências que lhes dão medo, a curto e longo prazo.

Sabe-se que, com os três testes, são ativadas três partes distintas do cérebro, pelo que, segundo Tsien, o fato de os ratos poderem eliminar qualquer dessas lembranças sugere que o mecanismo molecular é comum e as aplicações poderiam ser gerais.

Com o apoio das análises fisiológicas realizadas, Tsien acredita que a produção da CaMKII no instante exato em que os ratos lembram algo enfraquece rapidamente as conexões sinápticas -entre os neurônios- que, em um primeiro, se encarregaram de formar a lembrança, o que explicaria essa "formatação" seletiva.

Este método, no entanto, está longe de poder ser aplicado em humanos, pelo menos como o foi nos animais. Seria preciso buscar outras moléculas que pudessem servir de marcador para um possível medicamento, e Tsien afirma que, "devido à complexidade de nossos cérebros", não é possível, pelo menos por enquanto. EFE amc/db

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