Pesquisadores acusam Merck de esconder dados sobre o Vioxx

Por Julie Steenhuysen CHICAGO (Reuters) - O laboratório Merck & Co ocultou provas de que seu antiinflamatório Vioxx seria nocivo aos pacientes, disseram pesquisadores norte-americanos na terça-feira.

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Uma análise dos documentos judiciais sugere que a Merck sabia dos problemas anos antes de agir, segundo artigo dos pesquisadores na revista da Associação Médica Americana.

Eles afirmam que a Merck deixou de divulgar uma análise interna que concluía que pacientes com mal de Alzheimer que tomavam Vioxx tinham o triplo de chance de morrer em comparação aos pacientes que tomavam um placebo.

'Este é um sinal importante e sério de [violação da] segurança', disse Bruce Psaty, da Universidade de Washington em Seattle, cujo estudo comparou documentos internos da Merck com dados apresentados ao órgão regulador FDA e com as pesquisas publicadas.

'Se essas conclusões tivessem sido apresentadas publicamente em abril de 2001, é provável que muito menos pacientes tivesse escolhido usar Vioxx, e provavelmente muito menos teriam sido lesados', disse Psaty em entrevista telefônica.

Uma outra análise sugere que a Merck recrutou pesquisadores acadêmicos para que emprestassem sua credibilidade para estudos escritos pela empresa, que seriam usados como prova da segurança e eficácia do medicamento.

'Geralmente, acreditamos que essas acusações não sejam verdadeiras', disse Kent Jarrell, porta-voz do escritório jurídico que representa a Merck no caso Vioxx. O laboratório retirou o remédio do mercado em 2004, por causa de estudos que mostravam que ele duplicava o risco de ataque cardíaco e derrame.

O estudo, publicado junto com comentários dos editores da revista, propõe profundas mudanças para combater a influencia dos laboratórios junto à pesquisa médica.

O Vioxx é um medicamento da classe dos inibidores de Cox-2, criadas como alternativas à aspirina e a outros analgésicos que podem provocar hemorragia gástrica.

A Merck está negociando um acordo de 4,85 bilhões de dólares com milhares de vítimas do Vioxx, e também enfrenta queda nas vendas do medicamento Vytorin, contra o colesterol.

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