Pesquisa vincula abusos na infância à síndrome da fadiga crônica

(embargada até as 19h de Brasília desta segunda-feira) Washington, 5 jan (EFE).- As pessoas que sofreram traumas e abusos durante a infância têm mais probabilidades de desenvolver a síndrome da fadiga crônica, de acordo com um artigo publicado hoje na revista Archives of General Psychiatry.

EFE |

Além disso, a disfunção neuroendócrina, isto é, as anormalidades na interação do sistema nervoso e do sistema endócrino, parece associada com o trauma infantil nas pessoas com essa síndrome, o que indica um caminho biológico pelo qual as experiências anteriores têm influência na vulnerabilidade à doença na idade adulta.

A síndrome da fadiga crônica afeta aproximadamente 2,5% dos adultos nos Estados Unidos, segundo as autoridades de saúde. As causas e o desenvolvimento desta doença são pouco conhecidos.

Os fatores de risco incluem ser do sexo feminino, a predisposição genética, certos traços da personalidade e o estresse físico e emocional.

"O estresse, com outros fatores de risco, provavelmente causam a síndrome da fadiga crônica através de seus efeitos sobre o sistema nervoso central, e dos sistemas neuroendócrino e de imunidade", afirma o artigo.

Isso "causa mudanças funcionais que levam à fadiga e a sintomas como o transtorno do sono, impedimentos cognitivos e dor", destaca a pesquisa.

Christine Heim, da Escola de Medicina da Universidade de Emory, em Atlanta, e seus colegas estudaram 113 pacientes com síndrome da fadiga crônica e 124 indivíduos saudáveis que atuaram como grupo de controle.

Os participantes, escolhidos entre uma amostra geral de 19.381 adultos que moram na Geórgia, tiveram que contar se haviam tido algum trauma infantil, como abuso sexual, físico e emocional, ou negligência emocional e física.

Eles também foram submetidos a exames para a detecção de depressão, ansiedade e transtorno de estresse pós-traumático, e o nível de cortisol na saliva foi medido.

Os baixos níveis deste hormônio podem indicar uma diminuição da função do principal sistema de resposta neuroendócrina ao estresse no corpo.

Os indivíduos com síndrome da fadiga crônica relataram níveis mais altos de exposição ao trauma infantil, e esta vinculação apareceu associada com uma multiplicação por seis no risco de sofrer a condição.

O abuso sexual, o abuso emocional e a negligência emocional apareceram vinculados mais estreitamente com a síndrome da fadiga crônica.

Os pacientes com esta síndrome também mostraram mais probabilidades de sofrer depressão, ansiedade e estresse pós-traumático do que os indivíduos do grupo de controle. EFE jab/db

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