Pesquisa testa hormônio sexual para combater dano cerebral

Cientistas americanos planejam testar o uso da progesterona natural, o hormônio sexual utilizado nas primeiras pílulas anticoncepcionais, para tratar pacientes com danos cerebrais. O anúncio foi feito por um grupo de pesquisadores da Emory University, em Atlanta, durante o encontro anual da Associação Médica para o Avanço da Ciência, na Califórnia.

BBC Brasil |

Segundo eles, o tratamento com o hormônio poderia salvar a vida de pacientes com feridas ou traumas na cabeça e reduzir os danos cerebrais.

A progesterona é um hormônio esteróide produzido de forma natural nas mulheres.

Os pesquisadores dizem que esse hormônio existe também em pequenas quantidades nos cérebros de pessoas de ambos os sexos e seria muito importante para o desenvolvimento dos neurônios, as células cerebrais.

Além disso, o hormônio teria também um efeito protetor sobre tecidos danificados.

Redução de mortes

Os cientistas da Emroy University esperam agora testar a aplicação em larga escala do hormônio em pacientes com danos cerebrais.

A pesquisa deve envolver 1.140 pacientes em 17 centros médicos em todos os Estados Unidos durante um período de três a seis anos.

Os pesquisadores avaliam que, administrada imediatamente após o paciente sofrer um dano cerebral, a progesterona teria capacidade de reduzir o número de mortes pela metade.

Numa primeira etapa da pesquisa, com cem pacientes, demonstrou-se que a injeção do hormônio imediatamente após a ocorrência do dano teve um nível de segurança alto, com a redução do risco de morte e das sequelas dos danos no longo prazo.

"Danos cerebrais traumáticos são uma condição complexa - há um inchaço com danos e morte de neurônios ocorrendo ao mesmo tempo. A vantagem da progesterona é que ela parece ter um efeito sobre todas essas coisas", afirma o pesquisador David Wright, coordenador do estudo.

O pesquisador diz esperar que, após a última fase do estudo, a droga possa ser aprovada como o primeiro tratamento específico para danos cerebrais graves em 30 anos.

Pílula

Wright adverte, porém, que simplesmente tomar uma pílula anticoncepcional com progesterona não ajudaria em nada em caso de danos cerebrais sérios.

A progesterona natural, usada nas primeiras pílulas anticoncepcionais, foi substituída com o tempo pela progestina, uma versão sintética do hormônio.

Mas segundo os pesquisadores, a progestina parece não ter o mesmo efeito que a progesterona natural para o tratamento de danos cerebrais.

Durante o estudo, os pacientes com traumas graves na cabeça receberão uma infusão de progesterona natural, extraída de batatas doces, por um período de quatro dias.

"A dose recebida é provavelmente cerca de três vezes a que encontraríamos no sangue de uma mulher no terceiro trimestre de gravidez", diz Wright.

A FDA (agência que regula a fabricação e a comercialização de medicamentos e alimentos nos Estados Unidos) deu uma permissão especial para a equipe de pesquisadores administrarem a droga sem o consentimento formal dos pacientes, para que ela possa ser dada o mais rapidamente possível e ter o máximo efeito de proteção.

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