Pesquisa revela desconhecimento popular sobre causas do câncer

Virginia Hebrero Genebra, 27 ago (EFE).- O 20º Congresso Mundial do Câncer começou hoje em Genebra com a divulgação de uma grande pesquisa sobre a existência de crenças equivocadas e muito difundidas sobre os fatores que podem causar a doença.

EFE |

Segundo o resultado do estudo, realizado durante um ano em 29 países e com base em 30 mil entrevistas, muita gente desconhece, por exemplo, o impacto negativo do consumo de bebidas alcoólicas, enquanto o efeito nocivo do tabaco já é admitido.

O Congresso Mundial do Câncer foi aberto hoje à tarde pelo presidente da Suíça, Pascal Couchepin, pela diretora-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Margaret Chan, e pelo presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, que é oncologista.

Em geral, "se tendem a inflar os fatores ambientais, que têm impacto relativamente pequeno no surgimento do câncer, e a minimizar os riscos de outros fatores de risco bem estabelecidos, como o consumo de álcool", revela o estudo.

De acordo com a pesquisa, os habitantes dos países mais ricos são os mais reticentes a acreditarem que consumir álcool aumenta o risco de câncer, pois 42% deles afirmaram não ser um fator de risco.

Nos países de renda média, apenas 26% disseram que o álcool não aumenta o risco de câncer, enquanto o mesmo indicador ficou em 15% nos países menos desenvolvidos.

Nos países mais ricos, também é onde maior número de pessoas (59%) disseram que não comer frutas e verduras representa um risco maior de desenvolver câncer do que consumir álcool, enquanto os especialistas recomendam que "a evidência do efeito protetor das frutas e verduras é mais débil do que a evidência de que o consumo de álcool seja danoso".

Da mesma forma, 57% dos entrevistados nos países mais ricos disseram que o estresse é um fator de risco para o câncer, e 78% apontam a poluição do ar.

Especialistas garantem que o estresse não causa câncer e que a poluição do ar é um fator negativo, mas em menor medida do que o consumo de álcool.

"O estudo revela que há algumas grandes mensagens que não foram escutadas", diz o doutor David Hill, presidente eleito da União Internacional Contra o Câncer (Uicc).

"Esses tipos de dados nos ajudam a quantificar as diferenças entre os países e a evidenciar onde devem ser feitos esforços adicionais", acrescenta Hill, que também é diretor do Cancer Council Victoria, na Austrália.

Em seu discurso de abertura, a diretora-geral a OMS destacou o aspecto socioeconômico do câncer, quando disse que a doença "joga a cada ano cerca de 100 milhões de pessoas para abaixo da linha da pobreza".

Chan lembrou que o câncer mata oito milhões de pessoas por ano e disse que, desse total, mais de 72% acontecem nos países de média e baixa renda.

"O câncer é uma das principais causas do que convencionou chamar de despesas catastróficas de saúde, e isso é especialmente certo nos países mais pobres, onde a maioria das pessoas tem que pagar diretamente pelo atendimento de saúde que recebe", destacou.

Couchepin defendeu a necessidade de promover cuidados paliativos para melhorar a qualidade de vida nos últimos momentos de vida do paciente.

Vázquez também relacionou as condições socioeconômicas das pessoas com possibilidade de ter câncer e advertiu que até 2020, 75% de todos os casos serão registrados nos países em desenvolvimento.

O Congresso Mundial do Câncer, organizado pela Uicc e que conta com a presença de 2.500 especialistas procedentes de todo o mundo, irá até domingo, e nele serão discutidos controle, prevenção e tratamentos da doença, a segunda maior causa de morte no mundo. EFE vh/wr/rr

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