Pesquisa mostra que 65% dos paquistaneses querem processo de Musharraf

Islamabad, 19 ago (EFE).- Uma pesquisa realizada pela filial do instituto americano Gallup no Paquistão divulgada hoje revelou que 63% dos paquistaneses estão satisfeitos com a renúncia do presidente Pervez Musharraf e que 65% deles desejam que o ex-chefe de Estado seja processado.

EFE |

A pesquisa, divulgada pela agência estatal "APP", revela que 15% dos paquistaneses consideram negativa sua saída, enquanto 20% se mostram indecisos.

Do total de entrevistados, 65% defendem que Musharraf seja processado por, entre outros motivos, ter violado a Constituição, como pretende a Liga Muçulmana do Paquistão-Nawaz (PML-N), do ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif, enquanto 26% consideram ser mais conveniente "perdoar e esquecer".

Além disso, 55% dos cidadãos afirmam que o país melhorará com a saída de Musharraf, e apenas 15% dizem que a situação piorará.

Os entrevistados são mais unânimes (85%) quanto à restauração da alta magistratura destituída em novembro de 2007 por Musharraf durante a declaração do estado de exceção, medida que os partidos da coalizão do Governo se comprometeram a cumprir assim que o presidente deixasse o poder.

Musharraf renunciou ontem à Presidência do Paquistão após quase nove anos no poder e evitou assim o processo de impeachment que a coalizão governista queria abrir contra ele.

Apesar de o ex-presidente dizer em seu discurso de renúncia que sempre agiu em benefício do Paquistão, a grande maioria dos entrevistados (70%) acha que Musharraf colocou seus interesses pessoais à frente da vontade de ajudar o país.

Sete entre dez paquistaneses também destacam que o mandato do ex-general foi ruim ou muito ruim, enquanto 18% dizem que foi positivo.

Além disso, a pesquisa mostra um descontentamento amplo (64%) com a política econômica de Musharraf, um dos argumentos usados para se proteger durante seu discurso de ontem.

O estudo foi realizado a partir de uma amostra de 560 pessoas de todas as idades que habitam áreas urbanas do Paquistão e foram escolhidas em função de parâmetros socioeconômicos e lingüísticos.

EFE igb/wr/fal

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