Pesquisa diz que pessoas com câncer de pele correm risco de ter outro tumor

(embargada até as 23h30 desta terça em Brasília) Londres, 6 jan (EFE).- Os doentes de câncer de pele têm maior probabilidade de desenvolver outra variação de câncer que o resto da população, segundo uma pesquisa realizada na Irlanda do Norte e publicada no British Medical Journal.

EFE |

Os pesquisadores estudaram o Registro da Irlanda do Norte sobre o Câncer entre 1993 e 2002, e analisaram os casos de 20.823 pessoas tratadas de cânceres de pele - diferentes do melanoma - e os de 1.837 pessoas que sofriam de melanoma.

Em comparação com a população geral, constatou-se que as pessoas afetadas por um câncer de pele, excluindo o melanoma, apresentavam até 57% mais chances de ter novos processos cancerígenos após ser tratados da primeira doença.

Percebeu-se que havia muitos mais casos de posteriores melanomas e cânceres relacionados com o consumo de cigarro, e que os que apresentavam o maior risco eram os afetados por carcinoma de células escamosas e carcinoma basocelular.

No caso dos que sofriam de melanomas, uma variante que é a causa da maioria das mortes relacionadas com o câncer de pele, o risco de desenvolver outro câncer era duas vezes maior.

Os pesquisadores se centraram em pacientes que desenvolveram um câncer diferente do primeiro e excluíram os que sofreram um câncer metastásico - que se estende a outras partes do corpo.

"Este estudo confirma que os diagnosticados com câncer de pele têm um maior risco futuro de desenvolver outro tipo de câncer, especialmente um dos outros tipos de câncer de pele ou os relacionados com o cigarro", afirmou o professor Liam Murray da Queen's University de Belfast.

Segundo ele, a doença é especialmente recorrente nos casos de pessoas diagnosticadas com tumores pigmentados: "para aqueles com melanoma, o risco pode ser de mais que o dobro que para os indivíduos do resto da população".

Murray disse que há várias explicações, sendo a principal "a exposição excessiva ao sol, de modo que os pacientes que tiveram um dos tipos de câncer de pele têm maior propensão a contrair também as outras variantes epidérmicas da doença".

"Além disso, um novo câncer de pele pode ser mais facilmente detectável nos pacientes que sofrem acompanhamento após serem tratados de um primeiro diagnóstico de câncer de pele", explicou.

Quanto aos cânceres relacionados com o cigarro, Murray afirmou que "fumar predispõe a sofrer câncer de pele e em outras partes do corpo", e argumentou que "as pessoas que fumam costumam ter em geral estilos de vida menos saudáveis, o que inclui pouca consciência de que uma excessiva exposição ao sol é ruim".

O principal fator de risco para desenvolver um câncer de pele, que é a forma mais freqüente de câncer na população branca, são os raios ultravioleta procedentes da luz solar, que produzem mutações no DNA das células que se acumulam durante anos.

Sara Hiom, do Centro de Pesquisa do Câncer do Reino Unido, manifestou que a importância desta investigação reside em que "dá mais informação aos médicos na hora de monitorar as pessoas que sofreram um câncer de pele e lhes ajuda a reduzir o risco de que os pacientes desenvolvam um segundo câncer".

Hiom lembrou que, "em torno de dois terços dos melanomas e 90% dos cânceres de pele não melanômicos são causados pela exposição aos raios ultravioleta", e afirmou que ficar exposto ao sol com freqüência antes dos 35 anos aumenta em 75% o risco de sofrer um melanoma. EFE fpb/db

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