Londres, 24 abr (EFE).- Uma pesquisa feita no Reino Unido revelou que o pessimismo entre os cientistas sobre a possibilidade de se encontrar uma vacina contra a Aids é maior do que nunca e que muitos deles acreditam, inclusive, que a tarefa é impossível.

A pesquisa foi realizada pelo jornal britânico "The Independent" entre 35 cientistas que se dedicam ao tema na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos.

Entre eles, nomes importantes como o professor Andrew Leigh Brown, da Universidade de Edimburgo, Jonathan Weber, do Imperial College (Londres), e William James, da Universidade de Oxford.

Entre os entrevistados, apenas dois se mostram hoje mais confiantes que há um ano e outros quatro se manifestaram afirmando progresso em relação há cinco anos.

Cerca de dois terços dos consultados não acreditam que seja possível desenvolver uma vacina contra a aids na próxima década e outros pensam que são necessários pelo menos 20 anos para que se possa chegar a uma real proteção para as pessoas diante do vírus.

Uma minoria dos cientistas disse, inclusive, que nunca se chegará a descobrir uma vacina eficaz contra a síndrome de imunodeficiência adquirida.

O pessimismo de alguns cientistas pode ser atribuído ao fracasso de algumas tentativas recentes de se elaborar uma vacina realmente eficaz.

Uma vacina elaborada pelo laboratório Merck, que parecia dar resultado nos macacos de laboratório infectados artificialmente com o vírus da aids, não funciona quando aplicada em voluntários humanos expostos à doença.

Segundo Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecções dos EUA, o modelo animal, que utiliza uma combinação de vírus de imunodeficiência adquirida de símios e humanos, não serve para prever o resultado quando a vacina é aplicada nas pessoas.

Para Fauci, apesar dos problemas, não é o momento ainda de jogar a toalha, pois há muitas perguntas que ainda precisam de resposta.

Entre os entrevistados, 80% acreditam que é necessário tomar uma nova direção em busca da vacina após o fracasso dos experimentos clínico da Merck.

Os experimentos foram suspensos depois de suspeitas de que a vacina poderia, inclusive, aumentar o risco de contrair a doença.

Cerca de 33 milhões de pessoas estão infectadas pelo vírus da aids no mundo todo e aproximadamente 26 milhões já morreram vítimas da doença. EFE jr/rr/fal

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