Pescara abre suas portas às obras de arte salvas do terremoto

Miguel Cabanillas. Pescara (Itália), 18 abr (EFE).- A cidade italiana de Pescara, intacta após o terremoto de 6 de abril, abriu as portas não só de seus hotéis para grande parte dos desabrigados pela tragédia, mas também as de seus museus para as numerosas obras de arte salvas do terremoto.

EFE |

A Prefeitura da cidade, a mais importante do litoral adriático da região de Abruzzo, se ofereceu para abrigar em seus museus Ex Aurum e Vittoria Colonna parte das dezenas de obras de arte guardadas até então em igrejas e imóveis das áreas atingidas que foram salvas.

Entre essas destacadas obras resgatadas estão afrescos do gênio do Renascimento italiano Rafael (1483-1520), assim como a Bula da Perdonanza (Perdão), publicada em 1294 pelo papa Celestino V, o único que renunciou ao pontificado, que ficava na cidade de L'Aquila, capital de Abruzzo e cidade mais atingida pelo tremor.

Algumas dessas obras -que o Governo italiano já confirmou que, por enquanto, ficarão em Abruzzo, região devastada por um terremoto que matou 295 pessoas- poderiam ser transferidas para Pescara, segundo o desejo de sua secretária de Cultura, Paola Marchegiani.

"O que queremos é evitar que a arte de Abruzzo se disperse, se perca ou que sofra mais danos do que já sofreu. Queremos deixar as obras em nossa terra", afirmou Paola à Agência Efe.

Esta iniciativa é uma das muitas surgidas na Itália a fim de evitar que a tragédia humana do terremoto de 5,8 graus na escala Richter se transforme também em uma tragédia artística para uma região com numerosas igrejas gravemente danificadas.

O Governo prepara "uma lista de bens", segundo definiu o primeiro-ministro, Silvio Berlusconi, na qual se incluirão os artigos culturais danificados para que assim os Governos de outros países possam escolher que obra de arte apadrinhar para sua reconstrução.

Desta forma, o próprio Berlusconi, em uma de suas muitas visitas ao local da tragédia, chegou a propor que a Espanha colaborasse nas tarefas de reparação da "Fortaleza Espanhola" de L'Aquila, intenção confirmada no domingo passado, 12 de abril, pelo Governo de José Luis Rodríguez Zapatero.

Paola Marchegiani, que ainda não sabe o estado nem o número de obras que poderão ir para Pescara, propõe aos artistas italianos a doação de uma obra para leiloá-la e assim arrecadar fundos.

"Além do dinheiro que se possa arrecadar, o que nós queremos é não perder a arte que temos, recuperar tudo e empregar, inclusive, nossos professores locais e restauradores para reparar os pequenos danos que tenham ocorrido", explicou.

"Poderíamos inclusive oferecer uma vitrine estupenda para que essas obras recuperadas pudessem ser admiradas em Pescara", acrescentou a secretária, afirmando que, por enquanto, sua Prefeitura não contempla a possibilidade de criar um museu exclusivamente dedicado à arte afetada pelo terremoto.

Segundo ela "Pescara é uma cidade de braços abertos, que se mostra muito solidária à outra grande cidade da região", L'Aquila, uma das mais afetadas pelo terremoto e com menos habitantes, embora seja a capital de Abruzzo.

"Uma grande oportunidade de poder mostrar ao mundo a arte de Abruzzo que foi resgatada entre os escombros do terremoto seriam os Jogos Mediterrâneos", afirma Paola, já que Pescara sediará estes jogos de 26 de junho a 5 de julho.

Se forem mesmo levadas a Pescara, algumas dessas obras de arte sobreviventes à tragédia podem se encontrar, sob o mesmo teto, com trabalhos de outros artistas consagrados, como litografias dos pintores espanhóis Pablo Picasso e Joan Miró, expostas no Vittoria Colonna. EFE mcs/jp

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