Pesadelo terrorista em Mumbai termina após 158 mortes

Comandos das forças armadas indianas mataram na manhã deste sábado mais três terroristas islâmicos entrincheirados no hotel Taj Mahal de Mumbai, acabando com o pesadelo iniciado na noite de quarta-feira, após uma série de ataques contra diversos alvos na capital financeira da Índia.

AFP |

Os ataques deixaram ao menos 158 mortos, incluindo vários estrangeiros.

"Todas as operações acabaram. Todos os terroristas foram mortos", revelou o oficial da polícia Hassan Gafoor, 59 horas após o início dos ataques.

Comandos das forças armadas indianas lutavam desde a madrugada de sábado no interior do hotel Taj Mahal para desalojar os últimos terroristas islâmicos entrincheirados no prédio.

A operação começou por volta das 04H00 local de sábado (20H30 Brasília), após horas de relativa calma.

Antes da morte dos últimos terroristas, a imprensa local informava 155 óbitos, além de 327 feridos. Já a agência de notícias Press Trust of India, que citava o ministro do Interior, Sri Prakash Jaiswal, estimava um número superior a 200.

No final da noite de sexta-feira, a polícia anunciou que a situação estava sob controle e que as operações seriam suspensas no hotel Oberoi/Trident e no Taj Mahal, mas o tiroteio recomeçou no interior do prédio do segundo hotel na madrugada de sábado.

O departamento de Estado informou que cinco americanos morreram nos ataques em Mumbai, e vários outros estão desaparecidos.

"O departamento pode confirmar, até o momento, a morte de cinco cidadãos americanos. A equipe consular já entrou em contato com as famílias das vítimas", assinalou o porta-voz Gordon Duguid.

"O Consulado em Mumbai continuará trabalhando com a polícia indiana até que sejam localizados todos os americanos que figuram como desaparecidos".

Dois canadenses também morreram na série de atentados, incluindo uma mulher, cujo óbito foi anunciado pelo chanceler Lawrence Cannon.

Segundo um diplomata do governo de Israel, cinco reféns israelenses foram mortos em um centro religioso judaico ortodoxo de Mumbai durante a ofensiva terrorista.

De acordo com nota divulgada pelo Chabad-Lubavitch, um rabino e sua mulher foram mortos. De nacionalidade americana, esses novos óbitos elevaram para quatro o número de vítimas dos Estados Unidos.

O rabino Gavriel Holtzberg, que nasceu em Israel mas morava em Nova York desde a infância, e sua mulher, Rivka, também israelense, dirigiam o Chabad-Lubavitch de Mumbai e foram mortos durante os ataques, acrescentou o comunicado.

O filho pequeno do casal, Moshe, foi salvo na hora do atentado pela babá.

O assalto ao centro judaico foi realizado por comandos indianos deixados sobre o telhado do prédio por um helicóptero. Houve troca de tiros e, no início da noite, a operação teve fim, com uma série de fortes explosões abalaram o imóvel. Pouco depois disso, os comandos reapareceram, ovacionados por uma multidão de indianos reunida nos arredores.

A Índia acusa abertamente o Paquistão, seu vizinho e rival, de estar por trás desses ataques coordenados e muito bem orquestrados, que atingiram uma dezena de alvos em Mumbai, uma cidade com 13 milhões de habitantes. Islamabad continua a negar, de forma veemente, qualquer envolvimento.

Autoridades ocidentais relacionam os ataques à rede terrorista Al-Qaeda.

De acordo com um funcionário do alto escalão do governo indiano, os islamitas responsabilizados pelos atentados teriam feito, com antecedência, um estoque de armas e explosivos em um dos hotéis que tinham como alvo.

O serviço indiano de inteligência prendeu um extremista identificado como Abu Islami. Ele teria reservado um quarto no hotel Oberoi/Trident, aonde chegou quatro dias antes de outros membros do grupo desembarcarem em Mumbai pelo mar.

"Ele veio bem antes da chegada, por navio, de outros terroristas", declarou este dirigente do Intelligence Bureau que preferiu não ter seu nome divulgado.

"Simplesmente, usou o quarto do hotel para armazenar os explosivos", entre eles 40 granadas, "e armamentos, para uma ação de longo prazo", acrescentou.

Segundo a mesma fonte, cartões de crédito e uma carteira de identidade expedida pelas Ilhas Maurício, no Oceano Índico, foram apreendidas no quarto ocupado pelo extremista detido.

Os atentados visavam, sobretudo, aos estrangeiros, mais especificamente hóspedes americanos e britânicos de ambos os hotéis, símbolos da riqueza de Mumbai, assim como o centro judaico.

Os terroristas, armados de fuzis automáticos e de granadas, tinham ainda alvos indianos, como a estação central de Mumbai, onde mataram 50 pessoas. Um hospital que atende crianças e mulheres pobres também foi atacado.

Nove terroristas foram mortos durante as operações, e outro foi preso, enquanto 15 homens das forças de segurança morreram, anunciou o vice-primeiro-ministro do estado de Maharashtra, R.R. Patil.

No Oberoi/Trident, onde 93 reféns foram soltos hoje de manhã, a polícia anunciou ter encontrado 24 corpos e declarou que as operações estavam concluídas.

Quem conseguiu escapar, incluindo policiais e soldados, relatou as cenas de horror vividas nas últimas horas.

"São pessoas sem piedade. Abriam fogo sobre qualquer um que ficasse na sua frente", contou um oficial da Marinha, acrescentando que "havia sangue por toda parte, corpos estendidos em todo lugar".

A autoria dos ataques, que atingiram o coração da 10ª potência econômica mundial, foi reivindicada pelo grupo islamita Mujahedine do Deccan, nome do planalto que cobre o centro e o sul da Índia.

Em entrevista a uma emissora de TV, um dos terroristas do Oberoi/Trident disse que o grupo reivindicava o fim das "perseguições" aos muçulmanos da Índia, uma forte minoria de 150 milhões de pessoas, vítimas de violência no passado, nesse país de 1,2 bilhão de habitantes, hindus em sua maioria.

Segundo a agência de notícias indiana PTI, que cita fontes oficiais, três extremistas, entre eles um paquistanês, foram presos no Taj Mahal.

Eles pertenceriam, de acordo com a agência, ao Lashkar-e-Taiba, um grupo islamita com base no Paquistão, conhecido, principalmente, por ter atacado o Parlamento indiano em 2001. Esse atentado colocou Índia e Paquistão à beira de uma nova guerra.

phz-sas/afp-tt/LR

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG