O dia começou com boas e más notícias para os dois candidatos. A senadora cada vez mais endividada - US$ 10 milhões.

O senador com cofres transbordando, milhões em caixa e apenas US$ 800 mil em dívidas.

Ele gastou três vezes mais do que ela na Pensilvânia, foi incansável e agressivo nos comerciais da última semana.

Ela, pela primeira vez, usou imagens de Bin Laden - só os republicanos fizeram campanha com referências diretas à destruição das torres -  e outros momentos críticos na história americana -  Pearl Harbour, a queda da bolsa de 1929, a grande depressão,  o muro de Berlim. A intenção era reforçar a noção de que ela tem a experiência para os momentos decisivos.

E os endossos continuaram chovendo no senador. Nas últimas três semanas, 80% dos super-delegados se comprometeram com  Obama.

Um dos endossos foi surpreendente: Julie Nixon Eisenhower, filha do presidente Nixon e neta do presidente Eisenhower, é obamista e mandou US$ 2.300 para a campanha dele, o máximo permitido por lei para contribuições individuais. Mais republicana, impossível.

Quem decidiria a vitória na Pensilvânia? O voto dos jovens? O voto dos velhos? O voto dos brancos ricos ou dos brancos pobres? O voto rural ou suburbano? O voto católico? Ou o voto das mulheres solteiras, cada vez mais influentes? Os endossos?
Cada um destes grupos tem peso diferente, dependendo do Estado. A Pensilvânia, demograficamente, é parecida com Ohio, onde Hillary Clinton ganhou com 10% de vantagem, mas só a Flórida tem um maior número de eleitores acima de 60 anos.

E eles são consistentes a favor de Hillary Clinton - 58% dos democratas no país têm mais de 45 anos e 60% deles preferem a senadora de 60 anos. Barack Obama tem 46.

Será uma preferência de idade, de sexo ou de raça? Uma combinação dos três fatores. Os americanos estão prontos para eleger candidatos negros como elegeram governadores e prefeitos e outros políticos em Estados com maiorias brancas, mas o currículo político de Obama é curto. Ele é fascinante e uma incerteza.  O senador papou a Filadélfia, maior cidade da Pensilvânia, e ganhou nos subúrbios afluentes, mas ela colheu o voto dos velhos, das mulheres, dos católicos e principalmente dos  brancos de classe média sem diploma universitário.

Este é um problema sério para Barack Obama, que até agora não conseguiu fazer esta conexão.

Hillary Clinton é neta de um Lula que trabalhava numa siderúrgica, nasceu e morreu na Pensilvânia. O pai foi para a universidade no Estado graças, em parte, ao talento pelo futebol e também foi enterrado na Pensilvânia. Estas conexões familiares ajudaram a senadora, mas não definiram a eleição.

Qual o cenário? Para Hillary Clinton o melhor possível. Para os democratas, o pior possível.

A vitória de dez pontos percentuais é ótima para a senadora, reoxigenada, mas não define a eleição. Tudo fica do mesmo tamanho.

Nas próximas nove eleições ela deve ganhar pelo menos 4, talvez 5, mas por margens insuficientes para conquistar a indicação do partido sem os super-delegados.

Nem ele terá votos sem os super-delegados e ela tem argumentos: o senador não consegue ganhar nos grandes Estados nem tem o voto da classe média branca, e sem este voto não é possível ganhar em novembro.

Chegar à convenção sem um candidato vitorioso será um desastre para o partido. Um desastre maior será dar a ela a indicação sem a maioria dos delegados eleitos nas primárias, nos caucus e sem maioria no voto popular.

Uma das soluções, difícil mas cada dia mais possível, é o "dream team". Uma chapa com os dois candidatos. Ambos dizem que não passa de um sonho, mas as outras opções são pesadelos.

Hillary Clinton e Barack Obama foram finíssimos nos discursos de vitória e derrota na Pensilvânia. Ontem acertei na cabeça na vitória dela por dez pontos. Se tivesse errado, tinha prometido parar de fazer previsões. Tenho direito a mais uma: um dia vamos acordar com a chapa sonho.

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