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Pervez Musharraf faz último sacrifício pelo Paquistão

Islamabad, 18 ago (EFE).- Durante mais de oito anos o presidente Pervez Musharraf dirigiu com mãos firmes os destinos dos paquistaneses, mas no momento de anunciar hoje sua renúncia se mostrou um homem sem opções e que se declarava triste ao realizar seu último sacrifício pelo Paquistão.

EFE |

"O Paquistão é meu amor agora e sempre. Vivo pelo Paquistão", declarou Musharraf segundos antes de renunciar à presidência "pelo bem da nação", apenas uma semana após completar 65 anos.

O presidente não chegou a completar nem um ano dos cinco de mandato para o qual foi reeleito pela Assembléia paquistanesa, pouco antes de ter que deixar a chefia do Exército em benefício da "transição à democracia plena" que dizia querer para seu país.

Nascido em 11 de agosto de 1943 em Nova Délhi, Pervez era o segundo filho de uma família muçulmana de classe média que, quatro anos depois, subiu em um trem rumo ao Paquistão para tentar uma nova vida no recém-nascido Estado, fruto de uma divisão da Índia.

A família ficou durante pouco tempo em Karachi, a então capital do Paquistão, antes de partir em direção a Turquia para uma estada de sete anos graças ao cargo de diplomata obtido pelo pai.

Foi em Ancara que o adolescente Musharraf descobriu sua paixão pelos esportes e por cachorros, além de sua admiração pelo pai da Turquia moderna, Mustafá Kemal Atatürk, a quem em algumas ocasiões citou como inspiração.

Sua mãe disse uma vez que ele entrou na academia militar por ser mau aluno e seu pai decidir que seguiria carreira militar.

Com 18 anos, Musharraf entrou nas Forças Armadas, onde foi subindo de patente aos poucos até sua nomeação, em 13 de outubro de 1998, como comandante-em-chefe por parte do então primeiro-ministro e hoje seu inimigo, Nawaz Sharif.

Sob suas ordens, em maio de 1999, soldados paquistaneses fizeram uma incursão em Kargil (Caxemira) que esteve a ponto de causar a terceira guerra com a Índia pelo território.

Musharraf disse em sua autobiografia que a operação foi um "marco na História do Exército do Paquistão" e propiciou o processo de diálogo que ele próprio iniciou com a Índia cinco anos depois.

O general criticou Sharif por ter aceitado uma "retirada incondicional" diante do então presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, e se declarou "envergonhado" após a cúpula política paquistanesa insinuar que a operação em Kargil havia sido um "desastre".

Musharraf destituiu Sharif aproveitando que este estava em viagem ao Sri Lanka. Em poucas horas, Sharif foi afastado do poder e Musharraf assumiu o comando do Executivo.

"O golpe foi seu. A resposta do Exército foi o contra-ataque", afirmou Musharraf em sua autobiografia, na qual se apresenta como uma pessoa de sorte, que se salvou várias vezes da morte e sabe superar qualquer crise com a cabeça fria.

Em 20 de junho de 2001, o general se autoproclamou presidente, o que foi ratificado e prorrogado em um controvertido plebiscito em 30 de abril de 2002.

Apenas então foram realizadas eleições para formar um novo Parlamento, o mesmo que em 6 de outubro de 2007 lhe concedeu o segundo mandato presidencial.

Musharraf se aliou aos EUA em sua "guerra contra o terror" e prometeu comandar o país pelo caminho da "moderação ilustrada", mas no ano passado o Paquistão mergulhou no extremismo religioso e no confronto institucional.

O ano de 2007 foi complicado para Musharraf: em meio a uma onda de atentados que causou 1000 mortes, ao enfrentar a Justiça e por causa da pressão de seus dois oponentes no exílio, Sharif e Benazir Bhutto, para retornarem ao país.

O presidente conseguiu fazer um acordo, em outubro, de repartição de poderes com Bhutto em troca da anistia, mas no mês seguinte impôs o estado de exceção para conter os juízes hostis (o Supremo julgava a legalidade de sua reeleição), o que desagradou a opositora.

Nas semanas seguintes, Musharraf pendurou o uniforme que havia carregado como "uma segunda pele", segundo disse, e suspendeu o estado de exceção, mas a morte de Bhutto em um atentado pouco antes do fim do ano voltou a comover o país.

A derrota de suas forças nas eleições de fevereiro deste ano deixou o presidente encurralado e ele chegou a se queixar de não poder falar diante do Parlamento e finalmente optou por não enfrentá-lo embora classificasse de "falsas" as acusações sobre sua impugnação. EFE igb/fh/fal

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