Peruanos enterram 92 vítimas de massacre 25 anos depois

Os despojos de 92 vítimas civis do pior massacre ocorrido no Peru durante o conflito entre as forças do governo e os rebeldes do grupo maoísta Sendero Luminoso foram enterrados neste fim-de-semana no país, 25 anos depois do incidente. Familiares das vítimas da matança realizada no vilarejo de Putis, em 1984, levaram os caixões brancos através das montanhas de Ayacucho, nos Andes, numa caravana simbólica.

BBC Brasil |

Mais de 120 homens, mulheres e crianças foram mortos pelas forças de segurança durante campanha contra os guerrilheiros maoístas, que controlavam a área. Há cerca de um ano foram encontrados 92 corpos em uma vala comum em Putis, mas apenas 28 corpos puderam ser identificados através de exames de DNA.

O cortejo se realiza no sexto aniversário da Comissão para a Verdade e Reconciliação do Peru, que permaneceu mergulhado em uma guerra civil durante quase duas décadas. José Coronel, que presidiu a comissão em Ayacucho, disse que há poucos indícios de uma reconciliação em relação ao massacre de Putis.

"Não houve avanço em termos de justiça porque as forças armadas se recusam a dar os nomes dos oficiais estacionados na base militar aqui em 1984", afirmou em entrevista à BBC.

Nenhum militar foi processado pelo massacre. O ministro da Defesa do Peru, Rafael Rey, afirmou que é impossível obter os registros e documentos que revelam quem participou da ação em Putis.

Mas a autoridade destacada para a observação do respeito aos direitos humanos no país, Beatriz Merino, disse que estas declarações são inaceitáveis e o Estado tem a obrigação de garantir que a justiça seja feita.

Cerca de 15 mil pessoas desapareceram no Peru entre 1980 e 2000 por causa do conflito. Até agora foram exumados os restos mortais de pouco mais de 1% dessas pessoas, de acordo com o correspondente da BBC na capital peruana, Lima, Dan Collyns.

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