LIMA (Reuters) - A Venezuela deveria comprar 50 bilhões de dólares em armas porque 5 bilhões de dólares é muito pouco, recomendou ironicamente nesta quarta-feira o presidente peruano, Alan García, ao líder venezuelano Hugo Chávez, que fez um acordo pela aquisição de armamentos com sua a Rússia. As declarações do presidente peruano foram feitas depois de o primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, dizer na véspera que as vendas de armamento russo à Venezuela poderiam totalizar até 5 bilhões de dólares, após sua recente visita ao país sul-americano.

"O senhor Chávez tem alguns inimigos imensos. Ele vai ter aparentemente uma guerra de resistência contra os Estados Unidos, então 5 bilhões (de dólares) é muito pouco e teria que comprar 50 bilhões", disse García em tom irônico ao ser consultado por jornalistas sobre o tema.

Os Estados Unidos expressam frequentemente sua preocupação com as vendas de armas da Rússia à Venezuela, um de seus maiores críticos na região.

Chávez, por sua parte, afirmou que seu crescente arsenal está destinado a compensar um planejado aumento de forças militares norte-americanas na vizinha Colômbia, o aliado mais próximo de Washington na América Latina.

O presidente Chávez também disse que quer reforçar o Exército venezuelano com mísseis, tanques e submarinos russos, com o objetivo de resistir ao que denomina de imperialismo norte-americano na América Latina.

Segundo Putin, o valor inclui 2,2 bilhões de dólares em linhas de crédito para a compra de armas russas que Chávez recebeu durante sua oitava visita a Moscou em setembro de 2009, inclusive tanques T-72 e um avançado sistema de defesa antiaérea S-300.

Durante sua visita à Venezuela, Putin e Chávez dialogaram sobre temas petrolíferos, de defesa e cooperação energética, mas sem assinar novos acordos sobre armas.

García já criticou no passado o que considera ser uma corrida armamentista na América do Sul e até sugeriu que os países da região assinassem um pacto de não-agressão.

(Reportagem de Patricia Vélez)

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