Peru: tribos isoladas vistas no Acre não fugiram de desmatamento no país

Lima, 13 jun (EFE).- O Instituto Nacional de Recursos Naturais (Inrena) do Peru negou hoje que as tribos indígenas que vivem isoladas e foram observadas na fronteira com o Brasil sejam peruanas e estejam atravessando a fronteira por causa da poda ilegal da Floresta Amazônica na região de Ucayali.

EFE |

O desmentido foi feito por Grocio Gil Navarro, coordenador do Parque Nacional Alto Purús e da Reserva Comunal Purús, ambos controlados pelo Inrena.

No último dia 29, a Fundação Nacional do Índio do Brasil (Funai) e a ONG Survival International divulgaram fotos destas comunidades no estado do Acre, as quais foram amplamente divulgadas em Lima nos dias posteriores à sua apresentação.

Nas imagens, é possível ver cerca de dez indígenas apontando lanças para o avião do qual foram feitos os registros e correndo para se protegerem em grandes cabanas com tetos cobertos com folhas secas.

Gil Navarro esclareceu que, na área pela qual os nativos se deslocam, existem postos de controle, dos quais a floresta é vigiada e a movimentação dos índios que vivem em isolamento voluntário é monitorada.

"Fomos totalmente surpreendidos. Nós temos um posto de controle perto da região fronteiriça. É o posto de controle de Alto Kuranja.

Este é um afluente do Purús. Nesta região não há desmatadores ilegais. E, pelo Alto Yurúa, também não tivemos informação de que o desmatamento esteja fazendo nossos irmãos fugirem", declarou o biólogo em um comunicado da Inrena.

O responsável pelo Parque Nacional Alto Purús explicou que os índios avistados "entram e saem do Brasil".

"Eles têm esse ciclo. Não sabem da fronteira. Não conhecem a existência do Peru ou a do Brasil, e se deslocam por áreas próximas à do nosso posto de controle".

Na opinião de Gil Navarro, uma prova fidedigna da presença de indígenas peruanos "são as casas que eles deixam por onde passam, que são totalmente diferentes das que aparecem na fotografia divulgada" pela Survival International.

O Inrena, por meio da chefia do Parque Nacional Alto Purús e com ajuda internacional, monitora constantemente a região com os postos que tem instalados nas cabeceiras de vários rios.

Além disso, promove um plano de vigilância comunitária, a partir do qual os próprios índios defendem seu território.

O chefe da Direção Geral de Povos Nativos e Afro-peruanos (DGPNA), Ronald Ibarra, informou, no fim de maio, que uma comissão de antropólogos e intérpretes iria à região coletar informações e determinar se, efetivamente, o desmatamento está deslocando as comunidades indígenas do Peru.

No entanto, o funcionário disse que o grupo só iria até a comunidade de Puerto de Paz, na região do Alto Purís, onde existem índios acostumados a ter contato com a civilização.

Na ocasião, Ibarra também afirmou que os especialistas não entrariam em contato direto com os indígenas em isolamento, já que a transmissão de uma doença poderia dizimar a população da tribo.

A antropóloga Tatiana Valencia, da DGPNA, também ressaltou que a hipótese mais aceita entre a classe é a de que, se os nativos fotografados fossem peruanos, pertenceriam às tribos Mashco-Piro ou Murunahua, assentadas na região fronteiriça desde tempos pré-hispânicos. EFE mmr/sc

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