Peru: Porta-voz de candidata é destituído por falar de mortes no governo Fujimori

Jorge Trelles disse que se matou menos na gestão de ex-presidente e pai de Keiko Fujimori que nas administrações anteriores

iG São Paulo |

O partido da candidata à presidência do Peru Keiko Fujimori , o Fuerza 2011, destituiu nesta quinta-feira seu porta-voz, Jorge Trelles, depois de ele ter declarado que durante o governo de Alberto Fujimori (1990-2000) matou-se menos pessoas que em regimes anteriores. 

AFP
Keiko Fujimori, filha do ex-presidente peruano Alberto Fujimori (1990-2000) em campanha eleitoral em Lima para o segundo turno de 5 de junho
"Em todo caso, nós matamos menos que os dois governos que nos antecederam", afirmou Trelles na quinta-feira ao ser questionado em um programa de televisão sobre as acusações relacionadas aos crimes cometidos durante a gestão de Fujimori, que cumpre uma condenação de 25 anos de prisão por violações dos direitos humanos. 

As declarações geraram uma onda de críticas contra Trelles e o "fujimorismo", e a candidata à Presidência se apressou em rejeitar as palavras de seu porta-voz, enquanto seu candidato à vice-presidência, Rafael Rey, comunicou sua destituição. 

Keiko, que segundo as pesquisas tem pequena margem de vantagem sobre o nacionalista Ollanta Humala , seu rival no segundo turno do pleito presidencial de 5 de junho, assinalou que foi "uma frase infeliz" de Trelles.

"Eu não estou de acordo, espero que ele a corrija", afirmou a candidata, para depois explicar que seu porta-voz tentou fazer uma reflexão sobre o relatório final da Comissão da Verdade e Reconciliação. O documento estabeleceu uma apuração de vítimas nos anos do terrorismo e do contraterrorismo no Peru, entre 1980 e 2000. 

Segundo Keiko, Trelles estava fazendo um comentário sobre o fato de a comissão supostamente ter certificado que no governo de seu pai houve menos "desaparecidos".

Ollanta Humala, por sua vez, considerou "condenável, vergonhosa e contra a moral" a afirmação de Trelles e disse que dá "pena" competir nas eleições presidenciais com um projeto político que se expressa nesses termos.

*Com EFE

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