LIMA (Reuters) - O líder da guerrilha Sendero Luminoso, Abimael Guzmán, que está preso no Peru, considera que já não há mais condições para a luta armada em seu país, segundo relato feito nesta segunda-feira por seu advogado, que criticou o governo pela polêmica gerada pela publicação de um livro do militante maoísta. Cerca de 69 mil pessoas morreram em duas décadas de confronto entre o governo e a guerrilha, segundo dados oficiais. Mas desde que foi preso, em 1992, Guzmán defende uma solução política para o conflito.

De acordo com o advogado Alfredo Crespo, Guzmán, ex-professor universitário, considera que sua captura representou "o mais duro golpe contra o coração do Partido (Comunista do Peru)", embora alas dissidentes do Sendero continuem tentando se reestruturar em áreas da Amazônia e dos Andes, muitas vezes em aliança com narcotraficantes. Esses grupos dissidentes mataram pelo menos 50 policiais e militares no último ano.

"(Guzmán) agora pensa também que no Peru não há condições para o desenvolvimento de uma luta armada (...) que leve à conquista do poder", acrescentou Crespo.

Há pouco mais de uma semana, o lançamento de um livro de Guzmán, contrabandeado para fora da prisão por Crespo, levou o governo a acusar o militante e seu advogado de "apologia ao terrorismo", exigindo a apreensão da publicação.

Crespo voltou a criticar as autoridades, que estariam tentando "amedrontá-lo." "Acho que contra quem apontam como alvo é contra quem fala (...) A única forma que têm de me silenciar e anular é colocar-me na prisão", disse Crespo, que já esteve preso por sua relação com o Sendero.

Embora ressaltando que rejeita generalizações, o advogado afirmou que no governo 'há uma tendência a criminalizar a luta popular, o protesto popular, a perseguir os dirigentes de oposição (...) a pretender converter o Poder Judiciário em nosso país em um instrumento de perseguição política."

(Reportagem de Patricia Vélez)

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