Peru investiga se engenheiros brasileiros foram envenenados

Moradores da região se opõem à construção de hidrelétrica na qual os dois trabalhavam. Hipótese é de que água tenha sido envenenada

Denise Motta, iG Minas Gerais |

Reprodução/Google Maps
Bagua fica a 1067 quilômetros de Lima, capital do Peru
O governo peruano trabalha com a hipótese de que os dois funcionários da Leme Engenharia encontrados mortos no norte do Peru há cerca de duas semanas foram assassinados por moradores da região contrários à implementação de uma usina hidrelétrica no local.

Os corpos de Mário Bittencourt e Mário Guedes foram encontrados no último dia 27 sem sinais de violência. O laudo da autópsia apontou como causa das mortes edema pulmonar e cerebral. Esses problemas podem surgir de várias maneiras - inclusive, por envenenamento.

Segundo as investigações, os suspeitos Juan Zorrilla Bravo e Jesús Sánchez agiram de maneira suspeita durante as investigações iniciais. Eles teriam oferecido água aos funcionários da Leme Engenharia e uma das hipóteses é de que o líquido estava envenenado.

O jornal "Estado de Minas" esteve no Peru acompanhando as investigações e confirmou com a promotora provincial de Cumba, Mariela Gurreonero, que dois peruanos são investigados pelas mortes dos funcionários da Leme Engenharia.

O sobrinho de Mário Bittencourt, Felipe Bittencourt, confirmou ao iG a investigação em curso e reafirmou que a família sempre acreditou na tese de assassinato . Antes de desaparecerem, os funcionários da Leme estavam acompanhados do geólogo Fausto Liñan Turiarte e do engenheiro civil José Antonio Suzao Bellalli. A partir do depoimentos dos dois, o Ministério Público peruano investiga a hipótese de crime.

Os dois peruanos investigados seriam contrários à construção de usina hidrelétrica no local e um deles teria atrapalhado as investigações, ao apontar caminho diferente da rota dos brasileiros. A contradição surgiu com os depoimentos do geólogo e engenheiro peruanos.

“Essa hipótese de envenenamento pela água teria sido muito direcionada, pois todos os quatro beberam. Então, teria que ter veneno apenas nas garrafas dos brasileiros. Mesmo assim, precisamos explicar o porquê de eles terem saído da rota. Nossa expectativa é de que os depoimentos e exames laboratoriais esclareçam as circunstâncias das mortes”, afirmou Felipe. Ele também disse que Bittencourt e Guedes eram profissionais experientes e não se perderiam no local em que estavam.

Em setembro de 2010, o jornal peruano Diario Ahora noticiou que Zorilla seria um dos líderes de uma manifestação contra a construção de uma hidrelétrica. Na ocasião, cinco funcionários da empresa Vera Cruz e um funcionário do Ministério de Minas e Energia do Peru foram expulsos de um distrito em Yamon, região em que Bittencourt e Guedes foram encontrados mortos.

Para eles, os estudos de impactos ambientais não eram confiáveis e o empreendimento traria consequências negativas para a população ao longo dos anos.

A Leme Engenharia informa que está com uma equipe de advogados acompanhando a investigação do caso no Peru e que estudou as condições de segurança do local antes de mandar sua equipe - segundo a empresa, relatórios apontaram que a região era segura. No Ministério de Relações Exteriores, a assessoria de imprensa informou que não tinha um posicionamento sobre a tese de assassinato.

    Leia tudo sobre: perubaguamorteminas geraisengenheiro

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG