Peru impõe toque de recolher em zona de confronto na Amazônia

O Exército do Peru montou postos de controle e impôs toque de recolher nas províncias de Bagua e Utcubamba, na Amazônia peruana, palco de violentos confrontos entre a polícia e manifestantes indígenas que podem ter deixado mais de 50 mortos.

BBC Brasil |

Reuters
Índios protestam contra lei no Peru

Índios protestam contra lei no Peru

As autoridades confirmaram a morte de 22 policiais e nove manifestantes, mas representantes dos índios afirmam ter perdido 30 colegas.

Analistas dizem que essa é a pior onda de violência registrada no Peru desde o fim da militância do grupo Sendero Luminoso, na década de 90, e o maior desafio enfrentado pelo atual presidente, Alan García, que está no poder desde 2006.

O toque de recolher foi imposto das 15h de sábado às 6h deste domingo (17h de sábado às 9h deste domingo, no horário de Brasília), e 72 pessoas teriam sido presas.

Os conflitos começaram na sexta-feira, quando índios revoltados com uma lei que permite a exploração de recursos naturais em terras que eles ocupam fecharam uma estrada e fizeram refém um grupo de 38 policiais.

Pelo menos nove deles morreram no confronto que se seguiu a uma operação militar para resgatar os policiais no sábado.

Lei polêmica

O presidente García divulgou uma nota afirmando que o Peru sofreu uma "agressão contra a democracia", mas prometeu reagir "com compostura e firmeza".

Os índios protestam contra uma lei que permite a exploração por empresas estrangeiras de madeira e minério em terras indígenas. Os conflitos começaram na madrugada de sexta-feira, quando policiais tentaram liberar uma estrada que havia sido fechada pelos indígenas.

Desde 9 de abril, grupos indígenas peruanos vêm realizando protestos contra uma série de decretos legislativos do presidente Alan García.

Entre as leis questionadas pelos indígenas está uma que regulamenta o manejo dos recursos hídricos do país e outra que estabelece parâmetros para a administração de recursos florestais.

A nova legislação foi estabelecida em 2008 pelo presidente, com o uso de poderes especiais concedidos a ele pelo Congresso para o processo de implementação do acordo de livre comércio entre Peru e Estados Unidos.

As comunidades indígenas argumentam que a legislação é "prejudicial" a seus direitos, por permitir a "privatização" das florestas e dos recursos hídricos. Até agora, os protestos incluíram bloqueios de estradas, o fechamento de válvulas de gasodutos e o bloqueio de rios para navegação.

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