Peru: Humala lidera e Keiko amplia vantagem sobre Kuczynski

Com quase 69% das urnas apuradas, candidato de centro-esquerda e filha de Alberto Fujimori são os mais votados nas eleições

iG São Paulo |

Com quase 69% das urnas apuradas, o candidato nacionalista Ollanta Humala (centro-esquerda), segue liderando o primeiro turno das eleições presidenciais do Peru, realizadas neste domingo. Humala tem 28,8% dos votos e é seguido pela candidata conservadora Keiko Fujimori , com 22,6%.

A filha do ex-presidente Alberto Fujimori ampliou a vantagem sobre o ex-ministro Pedro Pablo Kuczynski, que tem 21,6%. No início da apuração, ele chegou a estar à frente de Keiko. Depois, ela passou o adversário por décimos, uma diferença que agora passou a ser de um ponto percentual.

Em quarto lugar está o ex-presidente Alejandro Toledo, com 15,1%. Se o cenário não mudar, o resultado confirmará as pesquisas de boca-de-urna, que apontaram um segundo turno entre Humala e Keiko.

O resultado do segundo turno é incerto: apesar da liderança nos votos, Humala conta com grande rejeição por parte do eleitorado, que critica sua proximidade com o presidente venezuelano Hugo Chávez.

A votação de domingo, uma das mais disputadas da história recente do Peru, definirá o sucessor do presidente Alan García e a nova composição do Parlamento. De acordo com pesquisas e especialistas, nenhum candidato presidencial conseguirá obter apoio da maioria das 130 cadeiras na composição do novo Parlamento, o que deve obrigar o vencedor a formar um governo de coalizão.

Segundo a OEA (Organização dos Estados Americanos), que atuou como observadora eleitoral, a votação transcorreu “com normalidade e tranquilidade”.

Propostas

Durante a campanha, Humala prometeu em campanha incrementar a presença do Estado na economia do país e propõs a nacionalização de setores e recursos considerados estratégicos, como o petróleo e gás. Em seu último comício, ele pediu à população que votasse "sem medo" de mudanças.

Já Keiko Fujimori apostou no polêmico legado do pai - cujo governo foi marcado por violações de direitos humanos e escândalos de corrupção - para tentar se tornar a primeira mulher presidente do Peru.

Quem sair vitorioso do processo eleitoral que começa neste domingo herdará um país com uma economia relativamente estável, mas com uma acentuada dívida social.

A economia do Peru cresceu a uma média de 7% nos últimos anos, o maior crescimento registrado na região, graças à alta dos preços dos minerais, uma das bases de sua economia. García fortaleceu a tendência econômica primária-exportadora, com uma política voltada à ampliação do livre comércio e de atração a investimentos estrangeiros.

Por outro lado, o crescimento da economia não trouxe uma redução da brecha social entre ricos e pobres. Cerca de um terço dos cerca de 30 milhões de peruanos vive na pobreza. No campo, esse índice supera 60% da população.

"A desigualdade social aumentou. A maior parte da população vê que há geração de riquezas, mas que não chegam até elas", afirmou à BBC Brasil o sociólogo David Sulmont, professor da Universidade Católica do Peru. "A economia cresceu mais do que o bem-estar da população." Para Lorena Alcazar, do Grupo de Análise para o Desenvolvimento (GRADE), o principal desafio do novo presidente será diminuir a brecha social que, a seu ver, gera tensão, em especial nas classes populares.

Com AFP e BBC

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