O ex-presidente Alberto Fujimori anunciou há pouco que vai apelar da sentença pronunciada contra ele, segundos depois de saber de sua condenação a 25 anos de prisão, por violação aos direitos humanos.

As acusações foram comprovadas "além de qualquer dúvida razoável, e por isso o julgamento é condenatório", declarou o juiz Cesar San Martin ao iniciar a leitura da sentença que durou várias horas.

A acusação havia pedido 30 anos de prisão, ao término de um processo que durou 16 meses em Lima. A defesa pediu a absolvição.

Fujimori, 70 anos, estava sendo julgado por suposto envolvimento em dois massacres que deixaram 15 mortos em 1991 e 10 mortos em 1992, praticados por "esquadrões da morte" como parte da guerra impiedosa e parcialmente oculta travada pelo governo contra as guerrilhas de esquerda.

Em 1991, 15 pessoas, entre elas mulheres e crianças, foram assassinadas em Barrio Altos, em Lima, por um grupo de homens com toucas ninjas que abriram fogo durante uma festa, aparentemente por "engano". Em julho de 1992, nove estudantes e um professor de La Cantuta, em Lima, foram sequestrados e executados com uma bala na nuca.

Fujimori clamou inocência, negando ter tido conhecimento destas operações ou ordenado a morte de quem quer que seja.

Ele também afirmou durante seu processo que a história o "reconhecerá" por ter deixado um Peru "estabilizado e pacífico". O conflito sangrento travado entre 1980 e 2000 pelo Exército e as guerrilhas do Sendeiro Luminoso (maoísta) e do Movimento Revolucionário Tupac Amaru (MRTA, guevarista) traumatizou profundamente o país, deixando 70.000 mortos e desaparecidos.

bur-jlv/sd

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.