Peru denunciará Sendero Luminoso na ONU e na OEA por utilizar crianças

O Governo do Peru denunciará o movimento maoísta Sendero Luminoso (SL) nas Nações Unidas e na Organização de Estados Americanos (OEA) por utilizar crianças para ultimar soldados feridos, anunciou neste sábado o presidente Alan García.

AFP |

"Dei instruções ao ministério das Relações Exteriores para que denuncie na ONU e na OEA o Sendero Luminoso, frisou, em entrevista à imprensa.

O Governo já havia anunciado anteriormente que pagará entre 99.000 e 165.000 dólares a quem der informação que permita capturar os chefes e chegar a comandos logísticos do Sendero Luminoso.

Soldados que sobreviveram a uma emboscada no sudeste do Peru, que serve de refúgio a elementos da guerrilha remanescente do SL, declararam à imprensa que do ataque participaram meninos armados, obrigados por algumas mulheres, também integrantes da coluna senderista, a dar o tiro de misericórdia em pelo menos um soldado gravemente herido.

Há uma semana, um programa de TV, da Frecuencia Latina, apresentou pelo menos 17 menores, com até 13 anos, no máximo, em formação militar na selva amazônica, bradando com o punho levantado: "Viva o marxismo-leninismo, viva o maoísmo e a revolução proletária socialista mundial!"

A reportagem mostra também, pela primeira vez, o rosto de Victor Quispe Palomino, ou "Camarada José", um sobrevivente da liderança do Sendero Luminoso, do conflito dos anos 1980-2000 contra os governos sucessivos do Peru, que deixou 70.000 mortos e desaparecidos.

"José", de cerca de 50 anos, é considerado o cérebro da dupla emboscada que matou 15 militares em abril deste ano, em Senabamba, a cerca de 600 km de Lima, no mais mortífero ataque da guerrilha em 10 anos.

Soldados que sobreviveram ao ataque haviam denunciado a presença de mulheres e crianças armadas entre os agressores, principalmente meninos obrigados por mulheres a matar militares feridos.

As imagens foram motivo, nesta segunda-feira, de uma onda de indignação no Peru. A Associação dos Direitos do Homem (Aprodeh) exigiu do Estado "recuperar e reabilitar essas crianças sem estigmatizá-las, porque não são responsáveis, mas vítimas do recrutamento forçado e do doutrinamento".

Políticos também qualificaram de "aberração" essa realidade de crianças com fuzis na região amazônica.

O primeiro-ministro, Yehude Simon, condenou e lamentou a utilização de meninos: "Esses menores são instigados e enganados. Temos que despertar para o fato de que o Sendero Luminoso não está derrotado".

No documentário, o "Camarada José" se apresenta como chefe do Comitê Regional do Partido Comunista do Peru, e afirma que a guerrilha entrou numa "nova fase", sem ligação com o Sendero de Abimael Guzman, seu líder histórico preso em 1992.

A reportagem apresenta também crianças jogando futebol numa clareira da selva, provavelmente no conflitivo vale dos rios Apurímac e Ene, uma zona montanhosa do centro do país que serviria de refúgio ao que resta da guerrilha do Sendero Luminoso.

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