Peru: Denúncia de suborno causa renúncia de ministro de Energia

O ministro de Minas e Energia do Peru, Juan Valdivia, renunciou ao cargo depois da denúncia de um esquema de corrupção envolvendo diretores de empresas estatais, que teriam recebido propina em troca da concessão de contratos públicos. A denúncia foi feita no domingo pelo jornalista e ex-ministro do Interior Fernando Rospigliosi no programa de televisão Quarto Poder, da rede América Televisión.

BBC Brasil |

Ele apresentou a gravação de uma conversa entre o ex-ministro do partido governista Apra Rómulo León e Alberto Quimper, um dos diretores da estatal Petroperú, a agência nacional de promoção e negociação de contratos de hidrocarbonetos no país.

O áudio revela uma discussão entre os dois sobre a quantia de dinheiro que receberiam se favorecessem a empresa norueguesa Discover Petroleum, em um leilão de áreas para exploração de petróleo.

A empresa, que acabou recebendo a concessão do contrato de exploração, nega qualquer envolvimento em possíveis subornos aos representantes peruanos.

Renúncias e demissões
Apesar de não ter sido acusado na denúncia, Valdivia justificou sua renúncia dizendo ser o responsável político pelo setor petroleiro.

O presidente da estatal Petroperú, César Gutiérrez, também apresentou sua demissão.

O presidente peruano, Alan García, cancelou os contratos com a Discover Petroleum, destituiu Quimper de seu cargo na estatal e anunciou a abertura de uma investigação sobre o caso.

"A melhor maneira de eliminar os ratos é atuar de imediato para conseguir limpar o governo e o Estado de qualquer ato de corrupção", disse Garcia.

O ministro da Justiça afirmou que irá investigar os registros bancários dos oficiais peruanos supostamente envolvidos no escândalo.

Nos últimos anos, o setor energético do Peru vem impulsionando a captação de milhões de dólares em investimento estrangeiro para a enorme indústria de mineração do país e para o crescente setor de gás e petróleo.

O escândalo poderá abalar ainda mais a confiança da população no governo, cujos níveis de popularidade estão bastante baixos.

Uma pesquisa recente divulgada pelo instituto Ipsos Apoyo, indicou que a popularidade de Alan García caiu para 19% no mês passado, em comparação com os 63% de aprovação registrados quando ele assumiu o poder, há dois anos.

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