Peru decide aumentar gasto militar após ataques do Sendero

Por Terry Wade LIMA (Reuters) - O governo peruano anunciou na sexta-feira um aumento dos gastos militares para intensificar seus esforços para recuperar o controle de uma região produtora de coca onde o Exército tem sido alvo de emboscadas da guerrilha Sendero Luminoso.

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"Não queremos minimizar o problema como nas décadas passadas. Ele é muito sério", disse ao Congresso o ministro da Defesa, Antero Flores Araoz. "Reconhecemos que tem havido muitas deficiências."

Os parlamentares questionaram Flores e três outros ministros sobre como o governo reagirá aos ataques nos vales dos rios Ene e Apurimac. Os ministros prometeram aumentar os gastos militares, alegando que os 43 milhões de dólares previstos no orçamento de 2009 serão insuficientes. Eles não disseram qual seria a verba adicional necessária.

Só neste ano os rebeldes realizaram 11 emboscadas nos vales, e pelo menos 30 soldados morreram desde agosto passado, quando o governo iniciou a ofensiva na região. As ações expõem problemas como escassez de contingente, de armas, de informações e até de alimentos para os militares.

Agora, o governo recebe críticas de entidades de direitos humanos por ter alistado 149 recrutas menores de 18 anos. "Como é possível que um menino de 17 anos seja enviado para uma zona de conflito?", questionou o deputado Juvenal Silva, referindo-se a um recruta morto numa emboscada na semana passada.

Novas estimativas divulgadas nesta semana pelo governo dão conta da presença de 600 guerrilheiros maoístas nos vales do Ene e Apurimac, supostamente envolvidos com o tráfico de cocaína.

Os ministros tentaram culpar o antecessor de García, Alejandro Toledo, por ter reduzido os gastos militares.

"Queremos um plano que inclua o aperfeiçoamento dos programas estatais de inteligência, gestão orçamentária, estratégias de desenvolvimento alternativo e financiamento", disse o chefe de gabinete do governo, ministro Yehude Simon.

O plano de García para as regiões cocaleiras prevê o envio de reforços militares para capturar os rebeldes, mas também a construção de hospitais e escolas para atender à população carente.

O Sendero Luminoso, que quase foi erradicado na década passada, tem demonstrado a capacidade de comprar apoios em localidades onde muitas famílias dependem da plantação de coca para a sua subsistência. O Peru é o segundo maior produtor mundial de cocaína.

O líder oposicionista Ollanta Humala, ex-oficial militar, disse que a estratégia de García é equivocada porque o Sendero Luminoso nos últimos anos abandonou sua luta ideológica para se envolver no lucrativo negócio das drogas.

"Eles não estão mais tentando tomar o poder. Eles não são uma ameaça ao Estado ou ao estado de direito, então isso é um trabalho para a polícia, não para o Exército", disse o esquerdista Humala, provável candidato a presidente em 2011, numa entrevista coletiva.

(Reportagem adicional de Teresa Cespedes, Marco Aquino e Dana Ford)

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