Peru condena membros de esquadrão da morte

A Justiça peruana condenou nesta terça-feira quatro membros de um esquadrão da morte acusado do assassinato de nove estudantes e um professor da Universidade de La Cantuta, nos arredores de Lima, em 1992. O general reformado Julio Salazar Monroe, que na época do crime era chefe do Serviço de Inteligência Nacional, foi condenado a 35 anos de prisão.

BBC Brasil |

Outros três ex-integrantes do grupo, Orlando Vera Navarrete, Fernando Lecca Esquén e José Alarcón González, foram condenados a 15 anos de prisão cada.

Quatro ex-militares que tamém eram julgados foram absolvidos por falta de provas.

Fujimori
Segundo o promotor Jose Pelaez, a decisão da Justiça pode estabelecer um precedente para o julgamento do ex-presidente Alberto Fujimori.

"Se os homens que realizaram esses atos são considerados culpados, sem dúvida, o homem no topo da cadeia de comando, o homem por trás de tudo, Fujimori, também será condenado pelos mesmos atos", disse Pelaez, antes da sentença.

Fujimori é acusado de autorizar o esquadrão da morte a combater os rebeldes do grupo maoísta Sendero Luminoso na década de 90. Ele nega a acusação.

Os quatro homens condenados nesta terça-feira integravam o chamado Grupo Colina, uma milícia formada por membros do Exército.

O grupo também é acusado de outro massacre, ocorrido em novembro de 1991, em Barrios Altos, uma área proletária de Lima. Nesse episódio, o Grupo Colina invadiu uma festa familiar e matou 15 pessoas, entre elas um menino de oito anos.

Acusações
Fujimori, que governou o Peru de 1990 a 2000, responde na Justiça a acusações de violações dos direitos humanos, no caso dos dois massacres, e crimes de corrupção.

Em dezembro do ano passado, o ex-presidente foi condenado a seis anos de prisão e ao pagamento de uma multa de 400 mil novos sóis peruanos (cerca de R$ 250 mil) por abuso de poder.

Fujimori deixou o Peru em 2000 e fugiu para o Japão, em meio a acusações de corrupção.

Em novembro de 2005, foi para o Chile. Sua intenção era permanecer temporariamente no país até conseguir retornar ao Peru para disputar as eleições presidenciais de 2006. No entanto, foi detido ao desembarcar em Santiago.

Em setembro do ano passado, depois de um longo processo, a Suprema Corte do Chile determinou sua extradição para o Peru.

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