Peru concede asilo político a líder opositor venezuelano

O governo do Peru anunciou nesta segunda-feira ter concedido asilo político ao líder da oposição venezuelana Manuel Rosales, que alega sofrer perseguição das autoridades em seu país de origem.

BBC Brasil |

"Consideramos que é um caso para outorgar asilo por motivos humanitários. Não é o primeiro caso de um venezuelano que pede asilo ao governo peruano. Não há por que alterar a relações diplomáticas com a Venezuela", disse o ministro das Relações Exteriores do Peru, José Antonio García Belaunde, ao anunciar a decisão.

Na sexta-feira, Manuel Rosales justificou o pedido de asilo em uma reunião a portas fechadas que durou 40 minutos, cujos detalhes não foram divulgados.

Como asilado, Rosales não pode intervir ou se manifestar publicamente sobre assuntos da política interna da Venezuela.

Enriquecimento ilícito

Rosales foi candidato à Presidência da Venezuela e é considerado um dos principais nomes da oposição ao presidente venezuelano, Hugo Chávez.

No seu país, ele foi acusado pelo Ministério Público (MP) do Estado de Zulia (oeste do país) de enriquecimento ilícito durante sua gestão à frente do governo estadual.

O MP alega que Rosales não pode comprovar a procedência de US$ 68 mil em sua declaração de patrimônio relativa aos anos de 2002 a 2004.

Em março, o político abandonou o cargo de prefeito de Maracaibo, a segunda maior cidade da Venezuela, e se refugiou no interior de Zulia, para preparar sua defesa.

Rosales chegou ao Peru no dia 4 de abril, com visto de turista, mas só foi divulgada a presença dele no país no dia 19 de abril.

Na quarta-feira, uma juíza de Caracas emitiu uma ordem de prisão contra ele e, no dia seguinte, a Interpol também emitiu uma ordem de captura internacional.

Os membros da oposição venezuelana alegam que Rosales não cometeu nenhuma irregularidade e que o julgamento é parte de uma "onda de perseguição política" do governo a seus adversários.

Manuel Rosales é o terceiro político venezuelano que atualmente tem asilo político no Peru. Os outros dois são Carlos Ortega, presidente da Confederação dos Trabalhadores da Venezuela, e o ex-governador do estado de Yaracuy, Eduardo Lapi.


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