Perto de eleições, atentado contra premier põe Paquistão em alerta

Igor G. Barbero.

EFE |

Islamabad, 3 set (EFE).- A comitiva do primeiro-ministro do Paquistão, Yousaf Raza Gillani, foi alvo de um atentado fracassado, em plena campanha para a eleição no próximo sábado do sucessor de Pervez Musharraf na Presidência do país.

Segundo o comunicado oficial do Governo, Gillani saiu ileso do ataque, lançado por "desconhecidos" contra sua comitiva na estrada que liga Islamabad ao aeroporto militar de Chaklala.

"Dos vários disparos de um franco-atirador contra o veículo do primeiro-ministro, dois atingiram a janela do lado do motorista (o direito, no Paquistão)", diz a nota oficial, o que foi confirmado por imagens divulgadas pela televisão estatal.

"Devido às fortes medidas de segurança" do comboio - o veículo de Gillani é blindado - "o primeiro-ministro e todos os membros de sua comitiva saíram ilesos", acrescentou a fonte.

No entanto, imediatamente a mídia eletrônica paquistanesa divulgou outras versões de fontes oficiais, dizendo que o primeiro-ministro não viajava em seu veículo no momento do ataque, mas estava no aeroporto à espera dele após voltar a Islamabad de uma viagem à cidade de Lahore.

O porta-voz de Gillani, Shahid Bashir, afirmou à Agência Efe que "o carro do premier voltava do aeroporto" quando foi baleado.

"O primeiro-ministro e o resto do pessoal estão a salvo", acrescentou ele, que insistiu que o comunicado do escritório do primeiro-ministro é a "versão oficial" e "a que vale".

Quando perguntado pela Efe sobre a contradição das versões, Bashir acrescentou que "há informações que não podem ser divulgadas por razões de segurança".

Em coletiva de imprensa em Karachi, o ministro do Interior Rehman Malik declarou que tinha falado por telefone com Gillani e que o premier "está completamente a salvo", e atribuiu a um mal-entendido as diferentes versões sobre o atentado, segundo a agência de notícias estatal "APP".

Os insurgentes que atuam no vale do Swat, no norte, assumiram a autoria do ataque, informou a rede de televisão "Dawn", sem revelar a fonte que fez a reivindicação.

O Governo de Gillani anunciou, em 25 de agosto, a ilegalização do movimento Tehrik-e-Talibã Paquistão, que reúne os grupos talibãs paquistaneses que o Exército tem combatido nas últimas semanas tanto na região tribal de Bajaur como no vale de Swat.

O Executivo ordenou o início de uma investigação do atentado até que se encontrem os culpados e de uma revisão das medidas de segurança do primeiro-ministro para detectar as possíveis falhas.

Segundo a "APP", a Polícia deteve três pessoas no local, que estão sendo interrogadas.

O presidente interino do país, Mohamadmian Sumro, condenou o ataque e disse que oferecia suas orações por boa saúde e longa vida para Gillani.

Em comunicado, o chanceler paquistanês condenou o ataque, que interpretou como "uma tentativa de forças antidemocráticas de desestabilizar as instituições democráticas do Paquistão".

Gillani, do Partido Popular do Paquistão (PPP), se soma à lista de personalidades que foram alvo de terroristas no país.

O PPP perdeu sua presidente, Benazir Bhutto, em um atentado em 27 de dezembro de 2007 após um comício político em Rawalpindi, perto de Islamabad.

Bhutto havia saído ilesa de um atentado anterior, em 18 de outubro em Karachi, horas após retornar do exílio ao Paquistão.

O ex-primeiro-ministro e líder da Liga Muçulmana do Paquistão-Nawaz (PML-N), Nawaz Sharif, também escapou no final de janeiro de um atentado, após a Polícia desativar uma bomba em Peshawar pronta para explodir durante a passagem de seu veículo.

Entretanto, é o ex-presidente Pervez Musharraf quem mais sofreu tentativas de atentados durante os quase nove anos que esteve no poder.

O atentado de hoje é uma nova mostra da instabilidade vivida pelo Paquistão, onde foram registrados outros combates com 30 insurgentes mortos em Swat e um ataque de forças americanas destacadas no Afeganistão na demarcação tribal que faz fronteira com a parte sul da região do Waziristão.

Pelo menos 20 civis morreram em um ataque de helicópteros e comandos americanos em uma aldeia do Waziristão, que motivou uma enérgica condenação do Executivo e do Exército paquistaneses. EFE igb/rb/rr

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