Várias personalidades políticas ligadas ao ex-presidente iraniano Mohamed Khatami e jornalistas reformistas devem comparecer nesta terça-feira ao Tribunal Revolucionário de Teerã, acusadas de ter estimulado as manifestações pós-eleitorais no Irã.

"Teve início a quarta sessão do Tribunal Revolucionário que julga os cérebros dos recentes incidentes", informou a agência Fars.

Os acusados convocados são ligados a Khatami, como o ex-ministro do Interior Mostafa Tajzadeh, o ex-vice-chanceler Mohsen Aminzaded, o ex-vice-ministro da Economia Mohsen Safaie-Farahani e os reformistas Mohsen Mirdamadi e Abdollah Ramesansadeh, segundo a imprensa.

Behzad Nabavi, um dos idealizadores do movimento reformistas e antigo ministro do governo de Mir Hossein Mussavi, conservador moderado e principal rival do presidente ultraconservador Mahmud Ahmadinejad na eleição presidencial de junho, e o intelectual iraniano-americano Kian Tajbakhsh também estão na lista de acusados.

Saeed Leylaz, famoso jornalista reformista, e Mohamad Ghoochani, chefe de redação do Etemad Melli, jornal de Mehdi Karubi, outro reformista e candidato derrotado nas eleições presidenciais, também foram convocados.

Mohamed Khatami - presidente reformista entre 1997 e 2005 -, apóia os membros da oposição que denunciam fraudes na reeleição de Ahmadinejad.

Um total de 140 pessoas já compareceram desde o início de agosto ao Tribunal Revolucionário por envolvimento nas manifestações pós-eleitorais, nas quais morreram oficialmente 30 pessoas, 69 segundo a oposição.

Os julgamentos são criticados pela oposição e pela comunidade internacional, o que elevou a tensão no Irã, que enfrenta a mais grave crise política desde a Revolução Islâmica de 1979.

Centenas de opositores permanecem detidos e a oposição denuncia a morte de algumas pessoas nas prisões, assim como estupros e outros abusos.

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