Personalidades pedem que crise financeira não abale combate à pobreza

Mar Gonzalo. Nova York, 24 set (EFE).- O ex-presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, o cantor Bono Vox, a rainha Rania da Jordânia, o ciclista Lance Armstrong e o Prêmio Nobel da Paz Al Gore, entre outros, reivindicaram hoje que a crise financeira não sirva de desculpa para reduzir a ajuda ao desenvolvimento e o combate à pobreza.

EFE |

"Parece assombroso que possam encontrar US$ 700 bilhões para salvar Wall Street e que o G8 (grupo formados pelos sete países mais desenvolvidos e a Rússia) não seja capaz de encontrar US$ 25 bilhões para salvar as 25 mil crianças que a cada dia morrem de fome e doenças evitáveis e tratáveis", disse Bono, vocalista da banda U2.

Dos participantes da reunião realizada em Nova York da Iniciativa Global Clinton, o artista irlandês foi talvez o que com mais intensidade se expressou na sessão de hoje.

Essa iniciativa, iniciada em 2005, procura estimular a formulação de compromissos por parte do setor privado para ajudar os Governos a melhorar as condições de vida no mundo.

Clinton assegurou que "ninguém sabe o que vai acontecer exatamente com a crise e quão rápida será a recuperação" "Posso dizer que o propósito que nos une será nos próximos anos muito mais importante se houver condições econômicas que impeçam os Governos de fazer o que havia sido previsto".

Segundo ele, "a crise não deve ser uma desculpa para esquecer os desafios do planeta, mas uma convincente razão para intensificar os esforços em superá-lo em qualquer canto do mundo".

Sobre isso, Bono destacou que "a quebra é algo muito sério" e reconheceu que não pode julgar as medidas do Governo.

"Acredito que esta gente saiba o que está fazendo", disse o artista, que ressaltou ainda que os EUA são muito mais que "um grande país", também são "uma idéia, a de que todos os seres humanos são iguais aos olhos de Deus".

"O fracasso dos Objetivos do Milênio da ONU demonstra que já não nos achamos nessa idéia", lamentou.

A rainha da Jordânia pôs como exemplo que educar as crianças do mundo requer US$ 11 bilhões anuais, o mesmo gasto por europeus em sorvetes.

"Se gastássemos US$ 11 bilhões a menos em orçamento militar e de defesa e mais em educação, imaginem a paz e segurança que poderíamos comprar", ressaltou.

O ciclista Lance Armstrong também considerou um "fracasso moral e ético" que exista tecnologia, remédios e procedimentos oportunos para prevenir e salvar milhões de casos de câncer e que não se faça isso por falta de fundos.

Por isso, anunciou que sua fundação destinará US$ 8 milhões em cinco anos para reforçar a luta contra o câncer no mundo.

"Como muitos já sabem decidi subir na minha bicicleta outra vez.

Acho que é a melhor maneira de promover esta campanha por todo o mundo", disse o atleta.

O prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, lembrou que quando decidiu combater o tabaco na cidade subindo impostos e proibindo o fumo em lugares públicos, recebeu muitas críticas, mas isso permitiu salvar vidas.

Para o presidente do Conselho de Administração da Coca-Cola, Neville Isdell, se está "perante a maior crise financeira desde a de 1929-1931 e ainda há o perigo de que siga nesse sentido, a não ser que se adotem com rapidez as medidas estipuladas".

"Todo nosso sistema está ameaçado", ressaltou Isdell, que defendeu adoção rápidas de medidas.

Segundo ele, "a crise pode ser vista como uma oportunidade". A opinião do executivo foi parecida com a do ex-vice-presidente americano Al Gore.

"Pela primeira vez na história da humanidade podemos e devemos tomar uma decisão para que a crise econômica se transforme em uma oportunidade para empreender as mudanças necessárias no mundo", ressaltou Al Gore.

Para ele, a mudança mais premente é a de deixar de queimar carvão no mundo todo, incluindo os países em desenvolvimento, para reduzir as emissões de dióxido de carbono.

O americano denunciou ainda que as empresas de carvão e petróleo gastaram nos EUA ao longo do ano cerca de US$ 500 mil em promover "a mentira que existe sobre o carvão verde", que "é como falar de cigarros saudáveis, que não existem". EFE mgl/rr

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