Persiste incerteza sobre motivo de desaparecimento do avião da Air France

Paris, 5 jun (EFE).- A incerteza sobre o que aconteceu com o avião da Air France que desapareceu na segunda-feira passada no Oceano Atlântico persiste e inclusive aumenta à medida que as horas passam, enquanto na França os investigadores quase não fornecem novos dados.

EFE |

Turbulências associadas a condições meteorológicas muito adversas e dados sobre medições "incoerentes" transmitidas do voo AF 447 sobre sua velocidade são quase as únicas pistas que restam hoje após cinco dias de busca pelo rastro do avião, no qual viajavam 228 pessoas no trajeto Rio de Janeiro-Paris.

Os responsáveis franceses pela investigação começaram hoje verificar o que denominaram "informações mais ou menos exatas" ou "tentativas de explicação" do acidente e sugeriram que se baseiam em dados incompletos e não comprovados.

O Organismo de Investigação e Análise (BEA, na sigla em francês) confirmou que, no estado atual das pesquisas, os "únicos elementos" que podem ser dados como "estabelecidos" são que o avião estava em uma zona de turbulências características da região e o dado das medições "incoerentes" sobre a velocidade na qual voava.

A atenção está voltada agora para o pronunciamento que os responsáveis do BEA farão no sábado de manhã em Le Bourget, nos arredores de Paris, na qual se esperam novos detalhes sobre o acidente.

Ainda sem dados mais concretos, o Governo francês admitiu hoje através de seu ministro da Defesa, Hervé Morin, que não está excluída a hipótese de que aconteceu um ato terrorista contra o avião da Air France, apesar de acrescentar que não há elemento ou pista que corrobore essa eventualidade.

Paris qualificou de "má notícia" o fato de o Exército brasileiro ter negado a relação entre os restos achados durante os últimos dias no Oceano Atlântico e o avião da Air France desaparecido.

"O tempo corre contra nós", declarou o secretário de Estado de Transportes francês, Dominique Bussereau, acrescentando que "é preciso fazer todo o possível para recuperar as caixas-pretas e, claro, ampliar a área para continuar a investigação".

Mas Bussereau lembrou que os aviões enviados à região pelas autoridades francesas "não tinham visto nada" em relação com possíveis restos do aparelho, pouco antes de o Ministério da Defesa ter confirmado que também será deslocado um submarino nuclear para a área.

Em relação a isso, o titular da Defesa explicou que o sistema de detecção do submarino poderia ajudar a recuperar as caixas-pretas do avião, nas quais são registrados dados sobre o funcionamento das aeronaves.

No entanto, durante esta semana os especialistas do BEA já reconheceram que esses dispositivos não necessariamente revelariam com precisão o que aconteceu para que o avião desaparecesse sem deixar rastro algum.

As operações de busca se concentram em uma área próxima às ilhas de São Pedro e São Paulo, formações rochosas desabitadas situadas a cerca de 704 quilômetros do arquipélago de Fernando de Noronha e a 1.300 quilômetros de Recife, em onde está o comando das operações.

Enquanto isso, em paralelo à investigação técnica, o Tribunal de Paris anunciou hoje a abertura de uma investigação por "homicídios involuntários" em relação ao desaparecimento do avião.

A investigação aberta não é dirigida contra ninguém em particular, diz o tribunal em comunicado, no qual indicou que a Promotoria de Paris enviou uma carta a cada família das vítimas para notificá-las sobre este procedimento penal e informar sobre a designação de associações de ajuda aos afetados.

Entre as poucas informações relevantes associadas ao desaparecimento do avião está a que a Airbus, fabricante do A330 da Air France, enviou às companhias que utilizam seus aparelhos um documento para lembrar das recomendações que devem ser seguidas quando acontecer um caso de incoerência no registro de velocidades de voo como o que, aparentemente, ocorreu no AF 447.

"É uma medida de precaução", afirmou a porta-voz, que lembrou que o BEA tinha constatado a existência de uma zona de turbulências e que as mensagens transmitidas automaticamente pela aeronave indicaram problemas com as medições da velocidade do avião. EFE jam/ma

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