Peritos confirmam que ossos achados na Rússia são de filhos de czar

Moscou, 24 jun (EFE).- Análises realizadas na Rússia, na Áustria e nos Estados Unidos confirmam que os ossos encontrados no ano passado nos Urais pertencem, com quase toda segurança, a dois dos filhos de Nicolau II, o último czar da Rússia, assassinado junto com a sua família pelos bolcheviques em 1918.

EFE |

O anúncio foi feito hoje pelo porta-voz do Comitê de Investigações da Procuradoria Geral da Rússia, Vladimir Markin, que disse que são grandes as chances destes restos pertencerem ao czarevich Alexei e à Grã-Duquesa Maria, embora a conclusão oficial somente seja anunciada em julho.

A Casa Imperial russa reiterou imediatamente que reconhecerá a autenticidade desses restos se o mesmo for feito pela Igreja Ortodoxa Russa, conforme revelou à agência "Interfax" Aleksandr Zakatov, chefe da Chancelaria da Grã-Duquesa Maria Romanova que mora na Espanha.

Markin explicou que os estudos antropológico, legista, anatômicos e morfológicos estabeleceram que os ossos achados pertencem a um menino de entre 12 a 14 anos e a uma jovem de entre 17 e 19, cujos corpos foram incinerados.

Além disso, foram realizados estudos genéticos com a participação de peritos russos, além de especialistas da Universidade de Massachusetts, do Laboratório de DNA do Departamento de Defesa dos Estados Unidos e do Instituto de Medicina Legal de Innsbruck (Áustria).

Foram feitas análises comparativas de DNA dos restos do czar e de sua esposa, encontrados anteriormente, e das ossadas achadas em agosto do ano passado, disse Markin às agências russas.

Um estudo histórico também foi realizado por um grupo de especialistas liderado pelo diretor do Arquivo Estatal, Sergei Mironenko, cujos "materiais confirmam a hipótese de que os restos pertenceriam à família real", declarou Markin.

Explicou que os estudos balísticos do Ministério do Interior confirmam que as balas achadas nas duas covas foram disparadas com as mesmas pistolas Browning.

Markin apontou também que as investigações dos arquivos permitem descartar, com quase nenhuma margem de erro, que os restos das crianças pertençam a vítimas de repressões políticas ou de um delito comum.

Nicolau II, sua esposa e seus cinco filhos, entre eles o príncipe herdeiro, Alexei, foram executados em um porão da casa Ipatiev, na cidade de Yekaterimburgo (Urais) no dia 17 de julho de 1918, e seus restos foram enterrados em uma floresta.

Os restos atribuídos ao czar, sua esposa e três dos filhos foram achados em 1979, exumados em 1991 e, uma vez identificados, sepultados na Fortaleza de São Pedro e São Paulo em São Petersburgo em 1998, na presença do então presidente russo, Boris Yeltsin, e de diversos representantes de casas reais.

Ao mesmo tempo, os estudos iniciais dos restos do czar e de seus parentes suscitaram muitas dúvidas, por isso, a Casa Imperial não os reconheceu como autênticos, apesar de terem 99,9% de chance de pertencerem à família real segundo declarações do Kremlin.

Por outro lado, o último achado e os resultados dos primeiros exames aumentaram as esperanças da Igreja.

"Ainda é cedo para tirar conclusões, mas, caso consiga ser estabelecida a autenticidade dessas ossadas, será resolvido um dos principais problemas que impediam que a Igreja reconhecesse os restos anteriores", declarou o arcebispo Georgi Mitrofanov, membro da Comissão sinodal do Patriarcado. EFE se/bm/rr

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG