Perfil: Juan Manuel Santos, o herdeiro de Uribe

Favorito nas eleições da Colômbia, candidato foi responsável por duros golpes contra as Farc quando ministro da Defesa

iG São Paulo |

Ao obter mais que o dobro dos votos de seu principal rival, Antanas Mockus, no primeiro turno das eleições presidenciais da Colômbia, em 30 de maio, o ex-ministro da Defesa Juan Manuel Santos pôs por terra pesquisas eleitorais que indicavam que os dois acabariam empatadados na primeira rodada de votação e que Mockus venceria no segundo turno, no domingo 20 de junho.

O resultado do primeiro turno corroborou a expectativa de que Santos, de 59 anos, não encontraria dificuldades para se eleger por ser um dos principais aliados e o herdeiro político do presidente Álvaro Uribe, que tem uma popularidade de 74% em boa parte pela bem-sucedida política de Segurança Democrática, que teve como resultado o isolamento da guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Impedido pela lei eleitoral de favorecer seu candidato, Uribe se baseou em metáforas para indicar aos colombianos sua preferência. "Isso (os resultados do governo) necessita continuidade, não é flor de um dia (...) é uma tarefa de muita convicção, disciplina", afirmou em um ato público no final de abril, em alusão a seu virtual sucessor.

O economista e jornalista Santos foi ministro da Defesa de Uribe de 2006 a 2009, período marcado pelo incremento da militarização do país e pelo endurecimento no combate aos movimentos armados colombianos.

Na função, foi responsável por alguns dos mais fortes golpes contra as Farc, incluindo a morte do número 2 da guerrilha, Raúl Reyes, em uma ofensiva em território equatoriano em 1.º de março de 2008. A invasão ao território equatoriano causou uma crise regional e levou o Equador a romper relações com o vizinho. Na reta final da campanha eleitoral, Santos foi acusado pela Justiça equatoriana de ter sido o "autor intelectual" da invasão.

Santos também esteve à frente da chamada "Operação Xeque", resgate militar que permitiu a libertação da ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, em cativeiro havia seis anos, e de outros 14 reféns.

Santos foi o responsável pelo início das negociações com os Estados Unidos sobre o acordo militar assinado em outubro, que permite a militares e assessores americanos usarem sete bases em território colombiano para a luta contra o narcotráfico e o terrorismo. Esse acordo levou a Venezuela a congelar as relações diplomáticas e comerciais com a Colômbia por considerar que a presença de soldados americanos põe em perigo a segurança regional e sobretudo a de seu país.

A gestão de Santos no Ministério da Defesa foi marcada também pelo escândalo de jovens assassinados por militares, que os apresentaram como guerrilheiros mortos em combate para receber benefícios, tais como folgas nos finais de semana, no caso conhecido como "falsos positivos".

O lançamento oficial de sua candidatura pelo governista Partido de La U foi atrasada pela perspectiva de a Corte Constitucional permitir a realização de um referendo sobre uma segunda reeleição consecutiva. Se a corte permitisse a consulta, havia a certeza de que Uribe tentaria conquistar seu terceiro mandato, após quase oito anos de governo. A corte, porém, não aprovou o referendo, e assim Santos pôde lançar-se como candidato.

Assim como Mockus, Santos defende o liberalismo econômico e a continuidade da política de segurança de Uribe. Durante a campanha eleitoral, acompanhando o comportamento dos colombianos que já não veem o conflito armado como a principal prioridade, Santos adotou como lema de campanha a frase "Vamos trabalhar, para que a Colômbia trabalhe".

Ele também propõe a “prosperidade democrática” e a luta contra a pobreza, que, apesar de ter caído 11 pontos porcentuais nos últimos anos, ainda afeta 45% da população. Outra bandeira é o combate ao desemprego. Se eleito, ele promete reduzir esse índice dos atuais 13% para 9%.

O apelo da campanha de Santos é mais forte entre os setores mais tradicionais da sociedade colombiana, incluindo os eleitores mais velhos, mais humildes e residentes nas áreas rurais do país. Se eleito, Santos contará com amplo apoio do Congresso Nacional recém-eleito, controlado maioritariamente por partidos da ala conservadora, ligada ao uribismo.

O candidato uribista é descendente de um ex-presidente, primo do atual vice-presidente e membro de uma das famílias mais influentes da Colômbia, proprietária do jornal El Tiempo. Nos últimos 20 anos, exerceu cargos em outros dois governos. Foi ministro de Comércio Exterior do governo César Gaviria (1990-1994) e da Fazenda no governo Andrés Pastrana (1998-2002). Essa é a primeira vez que Santos concorre a um cargo de eleição popular.

*BBC Brasil, EFE, El País e AFP

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